Crepes de amêndoa com creme de ricotta e framboesas # Almond crepes with ricotta and raspberry cream

Junho chegou e quase sem que eu desse por isso já está praticamente de saída. Troca-me as voltas esta volta rápida que o tempo dá. Esta sensação estranha que é sentir os dias acelerarem quando continuam a ter o mesmo formato de 24 horas.
Por aqui tem havido dias para tudo e sempre bem cheios nas medidas: Cozinha-se, fotografa-se… Vai-se de fugida até ao Sul para desacelerar. Volta-se para o Norte e acelera-se. Cozinha-se, fotografa-se… e pelo meio fazem-se coisas atípicas como dar entrevistas e ir à televisão. E sai-se da zona de conforto e volta-se para lá de novo. E vive-se um dia de cada vez, com a esperança de que em cada um caiba a força e a alegria de um ano inteiro. E respira-se fundo, bem fundo.
E depois, assim como quem não quer a coisa, lá vem a vontade de um doce de Verão.  E fazem-se crepes de amêndoa, finos e delicados que se recheam com um creme espesso e macio de ricotta e framboesas, levemente adoçado.
E por momentos o tempo demora-se e quase que pára no vai e vem guloso de cada garfada cremosa.
In English
June arrived and without me noticing it it´s already on it´s way out. These quick turns that times give turns me upsidown. This strange sensation that is felling the days accelerating when they continue to have the same 24 hour format.
Here there have been days for everything and well filled in measures: Cooking, shooting… Going fleetingly  to the South to slow down. Returning to the North to accelerate. Cooking, shooting… and in between do some atypical things like giving interviews and go on television. Leaving my comfort zone and then returning to it. Living one day at a time, hoping that in each fits the strength and the joy of an entire year. Take deep breaths, really deep breaths.
And then, out of nowhere comes the craving for something sweet and summery. Next thing you know thin and delicate almond crepes are in the making, filled with a thick and smooth ricotta and mashed raspberries cream, lightly sweetened.
And for a moment time slows down and almost stops in the coming and going of each creamy forkful.

 

 

 

 

 

 

  • Ingredientes: faz 3 a 4 crepes grandes (usei sertã com fundo de 22 cm de diâmetro)
    100 g de farinha de trigo sem fermento
    50 g de amêndoa moída
    2 ovos
    1 gema
    250 ml de leite meio gordo
    Pitada de sal
    Creme de ricotta e framboesas:
    400 g de ricotta
    200 g de framboesas bem esmagadas
    100 g de açúcar em pó
    1 colher de sopa de manteiga sem sal para fritar os crepes
  • Preparação:
    *Numa taça junte a farinha, a amêndoa, os ovos, a gema e o sal, junte o leite aos poucos mexendo bem para ligar sem ganhar grumos.
    *Deixe o polme descansar por 30 minutos.
    *Aqueça muito bem uma sertã anti aderente com a manteiga até esta derreter e espalhe um pouco do polme na mesma em camada fina. Vá virando a sertã para espalhar o polme. Frite 1 a 2 minutos até dourar e vire, deslizando o crepe para um prato e virando-o na sertã, frite mais 1 a 2 minutos até dourar.
    *Continue a fazer os crepes até o polme acabar e coloque-os empilhados num prato.
    *Misture o ricotta com as framboesas esmagadas e o açúcar em pó.
    *Recheie os crepes com o creme de ricotta e sirva polvilhado com mirtilos, framboesas, groselhas e cerejas.
    *Salpique com amêndoas em lascas.
  • Ingredients: Makes 3 to 4 big crepes, I used a frying pan with a 22 cm bottom)
    100 g plain flour
    50 g almond flour
    2 eggs
    1 yolk
    250 ml semi skimmed milk
    Pinch of salt
    Ricotta and raspberry cream:
    400 g ricotta
    200 g raspberries, mashed
    100 g icing sugar
    1 tbsp unsalted butter for frying the crepes
  • Preparation:
    *In a bowl mix together the flour, almond flour, eggs, yolk and salt. Stir in the milk little by little until you have a smooth batter with no lumps.
    *Let the batter rest for 30 minutes.
    *Heat a frying pan with the butter until melted and pour a bit of the batter on top in a thin layer, turn the pan slowly so the batter spreads evenly. fry for 1 to 2 minutes until golden. Turn the crepe sliding it into a plate and turning it over the frying pan, fry for another 1 or 2 minutes until golden.
    *Do this with all the batter and stack the crepes on a plate.
    *Mix the ricotta with the mashed raspberries and sugar.
    *Fill the crepes with the cream and serve with blueberries, raspberries, gooseberries and cherries.
    *Scatter some flaked almond on top of the crepes just before serving.

 

Crumble de amoras, rosas e amêndoa # Blackberry, roses and almond crumble

Lembro-me do último dia de 2015. Do frio cortante a varrer as terras dos arredores de Castro Laboreiro. Dos minutos que antecederam a meia noite e da resolução que tomei de não ter resoluções para 2016.  Do bem que me soube a liberdade e o desapego de não querer nada. De não esperar nada. O que viesse seria.
A primeira manhã de 2016 nasceu como tantas outras antes dela. O céu ainda estava sobre as nossas cabeças, o que é sempre um bom sinal 🙂 . A terra continuou a girar… no entanto e sem que na altura o pudessemos imaginar, no espaço de menos de três meses, vendemos a nossa antiga casa em circunstâncias extraordinarias e mudamos para uma nova – onde finalmente tenho o estúdio como um prolongamento da cozinha – para logo a seguir eu viajar para o outro lado do atlântico para trabalhar num projeto aliciante. Um turbilhão de acontecimentos que nos tomou de assalto com tudo o que implicaram: Expectiva, emoção, alegria, cansaço, desgaste, saudades, muitas saudades e mais do que tudo gratidão, uma imensa gratidão pela infindável generosidade da vida e pelo que ainda está para vir.
Agora que já estamos em Abril e que a Primavera deu início a um novo ciclo eu quero mais do que nunca a leveza das horas. E aquelas receitas simples às quais volto sempre nestes dias ainda frios e chuvosos como é o caso dos crumbles, ainda mornos, crocantes e tão frutados, coroados com colheradas espessas e macias de creme fraiche. Simples e ainda assim tão bom!
Para este crumble de amoras aproveitei parte das amoras que apanhamos durante o Verão que macerei em água de rosas antes de envolvê-las em açúcar amarelo e amido de milho e cobri-las com um crumble delicioso de amêndoa. É surpreendente a mistura das amoras com as rosas. Os perfumes de cada uma têm notas em comum que se complementam e casam na perfeição neste crumble exótico e aromático.
In English
I remember the last day of 2015. The cutting cold sweeping the surrounding lands of Castro Laboreiro. The minutes leading up to midnight and the resolution I made to have no resolutions for 2016. Of the good it felt the freedom and detachment of not wanting nothing. Of not expecting nothing. What would come would be.
The first morning of 2016 was born like so many others before it. The sky was still over our heads, which is always a good sign 🙂  The Earth continued to rotate… however and without us even imagining it, less than three months later we sold our old house under extraordinary circumstances and moved to a new one – where I finally have the studio as an extension of the kitchen –  and before I new I was travelling to the other side of the Atlantic to work on an exciting project. A whirlwind of events that took us by storm with everything that it usually involves: Expectations, emotion, joy, tiredness, wear, missing my family a lot and most of all gratitude, an immense gratitude for the endless generosity of life and for what is still to come.
Now that we already are in April and that Spring started a new cycle, I want more than ever the lightness of the hours. And those simple recipes to which I always return in these still cold, rainy days such as crumbles, still warm, crispy and so fruity, crowned with spoonfuls of thick and soft creme fraiche. Simple and yet so good!
To make this crumble I used the blackberries we picked during Summer that I macerated in rose water before folding them into light brown sugar and corn starch and cover them with a delicious almond crumble. It´s amazing the mixture of blackberries and roses. The perfumes of each have notes in common that complement each other and marry to perfection in this exotic and aromatic crumble.

 

Ingredientes:
900g de amoras
100 g de açúcar amarelo
1 colher de sopa bem cheia de Maizena (amido de milho)
200 ml de água de rosas
Para o crumble:
100 g de amêndoa moída
100 g de farinha de trigo
100 g de açúcar amarelo
100 g de manteiga sem sal bem fria e cortada em cubos
Pitada de sal
Para polvilhar:
Açúcar dourado (opcional)

Preparação:
*Regue as amoras com a água de rosas e deixe assim por 1 hora a macerar.
*Pré aqueça o forno a 190º, marca 5 do fogão a gás.
*Côe as amoras e misture-as com o açúcar e a Maizena, até tudo ficar bem ligado.
*Verta as amoras numa caçarola de forno e faça o crumble.
*Numa taça coloque a farinha, a amêndoa, o açúcar, a manteiga e o sal. Esfarele tudo com as pontas dos dedos de modo a que fique com uma mistura que lembra migalhas grossas.
*Cubra as amoras com  o crumble e salpique com açúcar dourado.
*Leve ao forno por 35 minutos até que fique dourado e que a fruta comece a borbulhar. Se começar a ganhar cor rapidamente cubra com papel de alumínio.
*Tire do forno, deixe arrefecer um pouco e sirva com creme fraiche.

Ingredients:
900 g blackberries
100 g light brown sugar
1 full tbsp of corn starch
200 ml rose water
For the crumble:
100 g ground almonds
100 g wheat flour
100 g light brown sugar
100 g cold unsalted butter, diced
Pinch of salt
Golden sugar (optional)

Preparation:
*Pour the rose water over the blackberries and let them macerate for 1 hour.
*Preheat the oven to 190º, 375F, gas mark 5.
*Drain the blackberries, discard the rose water and mix the berries with the sugar and corn starch until well combined.
*Pour the blackberries onto a baking dish and then make the crumble to top them.
*In a bowl put the flour, ground almond, sugar, butter and salt. Crumble these ingredients with your fingertips until they´ve incorporated all the butter and resemble big crumbs.
*Top the berries with the crumble and sprinkle with some golden sugar.
*Bake for 35 minutes until golden and bubbly. If it starts to gain color to fast cover with foil.
*Remove from the oven, let it cool a bit and serve with some creme fraiche.

 

 

Sonhos de laranja e baunilha # Orange and vanilla dreams

 

De que matéria se fazem os sonhos?

Princípio básico:
Para que os sonhos abram, cresçam e fiquem leves precisam de ser estimulados com picadinhas na massa. A quantidade de óleo deve ser generosa porque assim que abrem e crescem,  gostam de dar piruetas de alegria enquanto fervem no óleo quente. Na verdade é assim, entre picadas e viravoltas, trabalho árduo e alegria, que se vão criando os sonhos. E de pedaços inertes de massa cozida passam a  nuvens douradas, doces e fofas.

E enquanto os perfumes quentes da laranja, da canela e da baunilha se misturam no ar, há outros sonhos que vou “cozinhando”:
O meu livro já está a ser trabalhado pela editora. Revisão, provas e tudo o mais que for preciso. Yesss!!
A pessoa que sou e que continuo a criar, o meu trabalho como fotógrafa e food stylist e algumas das pessoas que vou encontrando no meu caminho continuam a dar-me largas e “picadas na massa” que me fazem crescer e dar piruetas de alegria. Por isso, acho que posso dizer que em muitos dos meus dias sou como o sonho fervilhante, que entre a dor das picadas e a alegria das piruetas se abre e expande, esperando um dia ser apenas a tal matéria de que os sonhos doces são feitos.

In English
Of what matter are dreams made of?

Basic principle:
For dreams to open, grow and become light they need to be stimulated with small pricks on the dough. The quantity of vegetable oil must be generous because as they open and grow, they enjoy making pirouettes of joy as they fry in the hot oil. Actually this is what, between pricks and turns, hard work and joy, dreams are made of. And from inert pieces of boiled dough they become sweet and fluffy golden clouds.

And while the warm scents of the orange, the cinnamon and the vanilla mingles in the air, there are other dreams that I´m “cooking”:
My book is already being worked by the publisher. Review, proofs and all that jazz. Yesss!!
The person that I am and that I continue to create, my work as a photographer and food stylist and some of the people I found along my path, continue to give me the space and the “pricks on the dough” that make me grow and make pirouettes of joy. So, for that reason I think I can say that in many of my days I´m like the sizzling dream, that between the pain of the pricks and the joy of the pirouettes, opens and expands, hopping one day to be only that matter of what dreams are made of.

Ingredientes: faz 21 sonhos, usando uma colher de chá como medida
200 gr. de farinha
50 gr. de maizena
50 gr. de açúcar
50 gr. de manteiga sem sal
200 ml de água
200 ml de sumo de laranja
5 ovos médios
1 casca de laranja
1 pau de canela
Pitada de sal
1, 1/2 colher de chá de extracto ou aroma de baunilha
Óleo para fritar
Açúcar para polvilhar
Preparação:
*Num tacho junte a água, o sumo de laranja, o sal, a manteiga, o açúcar, a baunilha, a casca de laranja e o pau de canela e leve ao lume.
*Assim que levanta fervura, tire o tacho do lume e junte as farinhas peneiradas, mexa muito bem e leve ao lume novamente, mexendo sempre até a massa formar uma bola e descolar do fundo  do tacho.
*Coloque a bola de  massa numa taça e mexa com uma colher até ficar morna, de forma a que se possam juntar os ovos sem que eles “cozam”.
*De seguida junte os ovos, um a um, batendo entre cada adição até que cada um seja totalmente absorvido pela massa.
*Leve um tacho com bastante óleo ao lume (o suficiente para que os sonhos possam virar durante a fritura)  e quando estiver bem quente, baixe o lume um pouco para que os sonhos não queimem.
*Coloque colheradas de massa (colher de chá bem cheia) no óleo, não muitas de cada vez porque os sonhos dão cambalhotas enquanto fritam e precisam de espaço para o fazer.
*Enquanto fritam, vão-se picando com um garfo ou até uma agulha fina de tricô. Isto faz com que eles abram, cresçam e fiquem leves e fofos, o que quer dizer que uma colher de chá de massa vai dar origem a um sonho com o triplo do tamanho.
*Quando o óleo à volta dos sonhos deixa praticamente de ferver, é
sinal de que estão prontos a tirar do tacho.
*Assim que saem do tacho, escorrem-se em papel de cozinha.

*Polvilham-se com açúcar em pó, enquanto ainda estão quentes.

Ingredients: makes 21 dreams, using a tsp to mesure
200 gr. Cake flour
50 gr. Corn starch
50 gr. Caster sugar
50 gr. Unsalted butter
200 ml water
200 ml of orange juice
5 medium eggs
1 orange peel
1 cinnamon stick
Pinch of salt
1, 1/2 tsp vanilla extract
Vegetable oil of your choice to fry
Icing sugar for dusting
Preparation:
*Put he water, orange juice, salt, butter, sugar, vanilla, orange peel and cinnamon inside a heavy bottomed pan and take to the heat.
*Once it comes to a boil remove from the heat and stir in the sifted flours until well combined. Take to heat and let the dough cook until it forms a ball and separates from the bottom of the pan.
*Put the dough inside a bowl and stir with a wooden spoon until warm, so you can add the eggs without “boiling” them.
*Add the eggs, one by one, beating between additions until each one is well absorved by the dough.
*Put plenty of vegetable oil inside a pan (enough so the dreams can turn while they fry) and when it´s really hot, low the heat a little so the dreams don´t burn quickly.
*Put heaped  tsps. of dough into the hot oil, not many at once so they have enough space to turn over.
*While the dreams fry prick them with a fork. This is what makes them open , grow and become light and fluffy, which means that a tsp of dough will become a dream with three times that size.
*When the oil around the dreams becomes quiet it means it´s time to remove them from the pan.
*Drain on top of kitchen paper.
*Dust with plenty of icing sugar while they are still hot.