A nossa viagem à Irlanda e as minhas panquecas de banana e gengibre # Our trip to Ireland and my banana, ginger pancakes

panquecas0

 

Aterramos em Dublin debaixo de um céu fechado e uma chuva chata, cortesia de um início de Fevereiro em terras mais a norte, em jeito de benção na nossa primeira viagem à Irlanda.

A nossa primeira paragem, ainda com malas atreladas e tudo só podia ser um bar, não um bar qualquer mas sim o clássico e deslumbrante The Bank que fica no coração da cidade em College Green. O espaço que foi em tempos um banco, foi criado no Sec. XIX e é um exemplo do esplendor vitoriano, em cada detalhe artístico da construção. Tudo aqui é para lá de bom.

Continue reading “A nossa viagem à Irlanda e as minhas panquecas de banana e gengibre # Our trip to Ireland and my banana, ginger pancakes”

Esparguete cremoso com frango, cebolas caramelizadas e estragão # Creamy spaghetti with chicken, caramelized onions and tarragon

pasta0

 

 

Doce, cremoso, herbal, caloroso… este é um esparguete de muitos adjetivos. Um esparguete de regresso a casa e à cozinha caseira…

Mas antes estivemos na Serra. Algures onde a Beira Alta se funde com a Beira atlântica fica a Serra do Caramulo, onde por três dias nos desprendemos de tudo, menos da terra que trilhamos, feita de florestas, laranjais e cursos de água cristalina. Já os trilhos do estômago esses levaram-nos pela tradição serrana afora. Do cabrito assado, à vitela de Lafões, do arroz de entrecosto marinado aos copos de tinto e espumante branco bruto, com gin puro e margaritas a abrirem as nossas noites e a darem alento aos músculos cansados. Preciso destes dias verdes e silenciosos como do pão para a boca. Vivo na cidade por engano do destino que só pode ter confundido as rotas quando me largou no mundo. Mas sei que nada é por acaso, mesmo os enganos têm o seu propósito.

Passámos também em Molelos para conhecer a olaria tradicional da zona, as famosas louças de barro preto. Trouxe algumas comigo, feitas pelas mãos da D. Fernanda Marques, oleira de terceira geração que nos desvendou as manhas de uma das peças mais emblemáticas, as cantarinhas de segredo. Mas esse, o segredo, deixo para que o descubram caso um dia passem por lá.

Guardei tudo o que pude deste início de Outono. Os campos de abóboras porqueiras, os muitos castanheiros carregados de ouriços ainda verdes e a luz de um sol que agora é mais ameno. Vi réstias de cebolas penduradas nas paredes alheias e para saciar a vontade de comida caseira, quando cheguei a casa fiz cebolas caramelizadas que ficam deliciosamente doces e levemente fumadas e usei-as neste esparguete…

…Doce, cremoso, herbal, caloroso.

In English

Sweet, creamy, herbal, hearty… this is a spaghetti of many adjectives. A homecoming spaghetti, and my return to home cooking…

But before we went to the Serra. Somewhere where the Beira Alta merges with the Beira atlântica is the Serra do Caramulo, where for three days we disconnected from everything but the land we hiked, made of forests, orange groves and crystal clear watercourses. As for the stomach trails those led us deep into the mountain tradition. From roast goatling to the veal from Lafões, to marinated pork ribs rice, to glasses of red and sparkling white, with pure gin and margaritas opening our nights and giving liveliness to our tired muscles. I need these green and silent days as bread to the mouth. I live in the city by mistake of fate, that can only have confused the routes when it drop me in the world. But I know that nothing is by chance, even mistakes have their purpose.

We went also to Molelos to know the traditional pottery of the area, the famous black pottery ware. I brought some with me, made by the hands of D. Fernanda Marques, potter of third generation she unveiled us the wiles of one of the most emblematic pieces, the secret of Cantarinhas. But this, the secret, I leave you to discover if you ever visit the village.

I kept everything I could from this early autumn. Fields of pumpkins, many chestnut trees laden with unripe urchins and the light of a sun that now is much milder. I saw strings of onions hanging on other people’s walls and to satisfy my craving for homemade food, when I got home I Caramelized onions that taste deliciously sweet and lightly smoked and then I used them in this spaghetti …

… Sweet, creamy, herbal, hearty.

 

cebolas0

ervas0

laranjais0

agua0

bagas0

land0

floresta0

cebola-caram

Esparguete cremoso com frango, cebolas caramelizadas e estragão

Fazer cebolas caramelizadas leva o seu tempo mas são uma base de sabor insuperável para todo o tipo de receitas. Pode fazer uma grande quantidade para guardar para outra altura tendo em conta que as cinco cebolas que usei nesta receita ficaram reduzidas a mais ou menos 1/4 do volume inicial. Se as caramelizar em azeite poderá guardá-las no frio, num frasco ou caixa de plástico bem fechados por uma semana, já que o azeite é um conservante natural.

Ingredientes: 4 pessoas

  • 500 g de esparguete
  • 3 peitos de frango
  • 300 ml de natas
  • 3 colheres de sopa de estragão seco
  • Sal a gosto
  • Parmesão ralado a gosto

Para a cebola caramelizada:

  • 5 cebolas médias/grandes cortadas em rodelas
  • 3 colheres de sopa de azeite
  • Sal a gosto

 

Preparação:

  1. Comece por fazer as cebolas caramelizadas.
  2. Num tacho ou sertã coloque o azeite e assim que estiver quente junte as rodelas de cebola.
  3. Cozinhe em lume médio, mexendo de vez em quando para que as cebolas amaciem por igual, o que para esta quantidade demora entre 7 a 10 minutos. Quando murcharem baixe o lume para o mínimo e continue a mexer de vez em quando, vigiando. Se usarem uma sertã ou tacho de fundo não muito espesso o processo demorará mais 30 minutos, até que a cebola comece a ganhar cor, num tacho de fundo espesso demorará um pouco mais. Nesta altura convém estar atento para que não queimem no fundo. Pode caramelizar as cebolas por mais ou menos tempo, se as quiser mais escuras cozinhe por mais um pouco, mexendo e vigiando.
  4. Coza os peitos de frango em bastante água com sal, passados 10 minutos junte o esparguete e mexa com um garfo para soltar os fios de massa, coza por mais 10 a 12 minutos até a massa ficar al dente.
  5. Escorra, passe a massa por água fria e desfaça os peitos de frangos.
  6. Leve uma sertã larga ao lume e misture o esparguete com o frango, o estragão e as cebolas caramelizadas, mexa bem, junte as natas, volte a mexer e está pronto a servir.
  7. Polvilhe com parmesão ralado a gosto.

 

 

Creamy spaghetti with chicken, caramelized onions and tarragon

To make caramelized onions takes time but it´s an unsurpassed  flavor base for all kinds of recipes. You can do a lot to save for another time taking into account that the five onions used in this recipe were reduced to about 1/4 of the initial volume. If you caramelize them in olive oil, you can keep them in the fridge, in a jar or well-sealed plastic box for a week, since olive oil is a natural preservative.

 

Ingredients: serves 4

  • 500 g spaghetti
  • 3 chicken breasts
  • 300 ml single cream
  • 3 tbsp dry tarragon
  • Salt to taste
  • Grated parmesan to taste

For the caramelized onions:

  • 5 medium/large onions cut into rounds
  • 3 tbsp olive oil
  • Salt to taste

Preparation:

  1. Start by making the caramelized onions.
  2. In a saucepan or frying pan put the olive oil and when it´s hot add the onion rings.
  3. Cook over medium heat, stirring occasionally so the onions soften and cook evenly, which for this amount takes between 7 to 10 minutes. When wilt reduce the heat to the lowest and continue to stir occasionally, watching. If you use a fryer or pan with a bottom not too thick the process will take another 30 minutes, until the onions are caramelized, I´ve used a cast iron pan so it took me a bit longer. At this point you may want to be careful not to burn the onions. You can caramelize the onions for more or less time, if you want them darker cook for a little longer, stirring and watching.
  4. Bake the chicken breasts in plenty of water with salt, after 10 minutes add the spaghetti and stir with a fork to loosen the threads of pasta, bake for another 10 to 12 minutes until the pasta is al dente.
  5. Drain, rinse the pasta with cold water and shred the chicken breasts.
  6. Take a large frying pan to the heat and stir the spaghetti with the chicken, tarragon and caramelized onions, stir well, add the cream, stir again until everything is well coated and is ready to serve.
  7. Sprinkle with grated Parmesan to taste.

 

pasta-done0

 

Savarin de anis com frutos de Verão # Star anise savarin with stone fruits

 

 

São agora já muitos os anos em que por breves temporadas vou até Caminha, Vilar de Mouros e Vila Nova de Cerveira. O meu Norte faz-se também destes sítios, tão ricos em história e lendas, com a abundância à flor da pele, de verde, de perfumes de ervas e flores silvestres, de bons vinhos e de boa comida minhota. Foi por lá que estivemos na semana passada.

Em Fevereiro do ano passado, em pleno Inverno fizemos o caminho da costa para Santiago. Na manhã seguinte à nossa chegada a Caminha combinamos com o pescador que faz as travessias de barco para Espanha e lá fomos nós, foz do Minho adentro, o dia ainda a clarear, com roupa quente até às orelhas e salpicos de água gelada como picadelas certeiras, nas nossas caras ainda estremunhadas. Ao pisar areias de Espanha começamos mais um dia de caminhada que desta vez nos ia levar por A Guarda e algumas das praias mais bonitas que já vi. E foi por isso que a incluímos no nosso roteiro, nesta escapadela de Verão. Tenho pena de não ter fotos “oficiais” dessas praias mas o calor era tanto que entre carregar quilos de equipamento fotográfico e digerir outro tanto (ou quase) de ameijoas, mexilhões e lagostins, fiquei-me pelos últimos. Escolha sábia, certo? Eu sabia que concordavam comigo 🙂  Quem sabe para a próxima…

Entretanto Cerveira acolheu-nos de coração aberto e engalanada com cores entrelaçadas por mãos cheias de arte! Tão bonito ver a Vila coberta de crochet em cada recanto. Árvores, bancos, floreiras, fachadas e claro cervos, vários cervos “vestidos” a rigor, a lembrarem que o nome dado à vila poderá ter surgido graças a uma grande colónia de cervos que terá existido por aqueles montes.

Mas agora já estou de volta. E com uns quantos savarin,  macios, húmidos e delicados, bem regados com xarope de anis e coroados com natas frescas e frutos de Verão. Um doce que por ser tão bonito merece uma ocasião especial mas claro, nisto da comida o que vale mesmo é fazer o gosto à vontade e havendo vontade todos os dias são bons para “savarinar” 🙂

In English
It´s been many years since I first started to spend brief seasons in Caminha, Vilar de Mouros and Vila Nova de Cerveira. My north is also made by these places, so rich in history and legends, with the bounty at the surface of the skin of green, perfumes of herbs and wild flowers, good wine and good  food from Minho.
It was there that we went last week.

In February, last year we walked the Portuguese coast way to Santiago. The morning after our arrival in Caminha we talked with the fisherman that makes the boat crossings to Spain and so we went, inside the mouth of the Minho river, the day still to clear, with warm clothes up to our ears and splashes of cold water as well aimed pricks in our, still not fully awaken, faces. Once we stepped spanish sands, another day of walking began, that this time would take us through A Guarda and some of the most beautiful beaches I´ve ever seen. And that´s why we included it in our little Summer escapade. I´m sorry not to have “official” photos of those beaches but the heat was so intense that between carrying quilos of photographic gear and digest as much as I could of clams, mussels and crayfish, I chose the last. Wise choice, right? I knew you would agree with me on this one 🙂 Who knows, maybe next time…

In the meantime Cerveira welcomed us with open heart decked with colors intertwined by artfull hands. So beautiful to see the crochet covered village. Trees, benches, flower boxes, facades and of course deer, several deer, all “dressed up” remembering us that the name given to the village may have arisen due to the ancient existence of a large colony of deer in the surrounding hills.

But now I´m back. And with a few savarin. Soft, moist and delicate, well watered with anise syrup and crowned with freshly whipped cream and stone fruits. A sweet that for being so beautiful deserves a special occasion, but off course, in these things of the food what really matters is to please the craving and when the craving emerges, every day is a good day for some “savarinating” 🙂

 

 

 

 

 

 

  • Ingredientes: faz 12 bolinhos
    250 g de farinha
    100 g de manteiga sem sal
    1 sachet de fermento de padeiro desidratado
    100 ml  de leite meio gordo
    4 ovos
    30 g de açúcar
    Pitada de sal
  • Para o xarope:
    300 ml de água
    100 g de açúcar
    2 estrelas de anis
  • Para servir:
    Natas batidas
    Alperces e nectarinas

  • Preparação:
    *Unte uma forma  de 6 donuts (ou duas, se o seu forno for convetor), ou 12 forminhas de savarin  com manteiga e reserve.
    *Derreta a manteiga e deixe arrefecer totalmente.
    *Coloque a farinha numa taça, faça um buraco no meio e junte o fermento, o sal, o leite e uma colher de chá de açúcar.
    *Misture muito bem, tape com um pano e deixe levedar por 30 minutos.
    *Junte os ovos batidos, a manteiga e o restante açúcar à mistura de farinha e ligue bem. Tape e deixe levedar mais 30 minutos. A massa vai ficar mole e pegajosa mas é mesmo assim.
    *Tire o ar à massa sem a sovar muito e encha os espaços das formas quase até cima.
    *Deixe levedar novamente por 30 minutos.
    *Pré aqueça o forno a 190º, marca 5 do fogão a gás.
    *Leve ao forno por 25 a 30 minutos.
    *Para fazer o xarope leve os ingredientes ao lume num tachinho e deixe ferver por 7 minutos. Deixe arrefecer.
    *Tire os savarin do forno, deixe arrefecer um pouco, desenforme e coloque-os em cima de uma rede colocada em cima de um tabuleiro de forno.
    *Deixe os savarin arrefecerem totalmente e depois verta o xarope frio em cima de cada bolinho. Devem ficar bem embebidos mas sem se desfazerem.
    *Sirva com natas batidas e com alperces e nectarinas.
  • Ingredients: makes 12 cakes
    250 g cake flour
    100 g unsalted butter
    1 sachet of dry yeast
    4 eggs, beaten
    100 ml semi skimmed milk
    30 g caster sugar
    Pinch of salt
  • For the syrup:
    300 ml water
    100 g sugar
    2 star anise
  • To serve:
    Whipped cream
    Stone fruits (apricots and nectarines)
  • Preparation:
    *Butter 2 donut pans or 12 savarin moulds and set aside.
    *Melt the butter and let it cool completely.
    *Put the flour into a bowl and make a hole in the middle, add the yeast, 1 tsp of sugar, salt and the milk.
    *Mix everything until you have a rough dough.
    *Cover the bowl with a kitchen towel and let it rise for 30 minutes in a warm corner.
    *Add the eggs, butter and remaining sugar and mix until you have a soft but sticky dough, cover with a kitchen towel and let it rise for 30 minutes more.
    *Preheat the oven to 190º, 375f, gas mark 5.
    *Pour the dough into the moulds almost to the top.
    *Bake for 25 to 30 minutes, until golden.
    *To make the syrup put all the ingredients inside a small saucepan and take to the heat, boil for 7 minutes and remove from the heat. Let it cool completely.
    *Remove the cakes from the oven, let them cool a bit, unmold and put them on top of a wire rack, inside a baking tray.
    *Once the savarin are cold, pour the syrup all over them. They must be moist but not falling apart.
    *Serve with whipped cream and slices of apricots and nectarines.