A nossa viagem à Irlanda e as minhas panquecas de banana e gengibre # Our trip to Ireland and my banana, ginger pancakes

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Aterramos em Dublin debaixo de um céu fechado e uma chuva chata, cortesia de um início de Fevereiro em terras mais a norte, em jeito de benção na nossa primeira viagem à Irlanda.

A nossa primeira paragem, ainda com malas atreladas e tudo só podia ser um bar, não um bar qualquer mas sim o clássico e deslumbrante The Bank que fica no coração da cidade em College Green. O espaço que foi em tempos um banco, foi criado no Sec. XIX e é um exemplo do esplendor vitoriano, em cada detalhe artístico da construção. Tudo aqui é para lá de bom.

O espaço, o atendimento e a comida. Só sei que assim quase de repente estavamos instalados no piso superior, sem malas a estorvar e com duas guiness à frente. E para comer? Começamos com fish and chips para ele ( bacalhau fresco, coberto por polme e frito, com batatas fritas ) e venison pie para mim (tarte de veado estufado coberto com puré de batata gratinado). O bacalhau macio por dentro, estaladiço por fora, sem ponta de excesso de gordura. A tarte deliciosa, encorpada e reconfortante. Dublin começava a conquistar-nos, e de uma forma infalível… pelo estômago. Horas depois seguimos para Sandymount, para o hotel.

Dia seguinte: Destino Galway.

A zona pedonal de Galway e a mais pitoresca é um conjunto de ruas coloridas que a meio do dia já estavam completamente apinhadas e onde se encontram vários pubs, restaurantes, lojas e outros serviços. A primeira paragem foi no mercado de rua de Galway, junto à igreja de St. Nicholas e que já conta com séculos de existência. Artesanato, plantas, frutas, vegetais, queijos, compotas e outros petiscos atraem locais e turistas. Lá encontrei uma ceramista fantástica onde comprei as peças que podem ver na primeira imagem e foi lá também que vi o primeiro ruibarbo do ano, couves de bruxelas ainda agarradas aos caules e pastinagas, muitas pastinagas. Numa das bancas vendiam-se ostras já que Galway sendo uma cidade costeira, é também conhecida pelo bom marisco.

A meio do dia exprimentamos o típico brunch irlandês no Maxwells Bistrouma refeição para campeões: Bacon, morcela, farinheira, salsichas, batatas novas assadas, ovos fritos, feijões estufados, fatias de pão, manteiga e compota, chá e café. O combustível mais que suficiente para passar as próximas horas a explorar a cidade. Fomos ainda conhecer o Spanish Arch, junto à foz do rio Corrib, onde se encontra o museu da cidade. Estes arcos são o que resta do bastião acrescentado à muralha da cidade no Séc. XVI, a fim de proteger os navios de possíveis pilhagens. O nome, arco espanhol, poderá ser uma referência à antiga troca comercial com a Espanha, já que os galeões atracavam lá frequentemente, sob a sua proteção.

Com o cair da noite estávamos de volta a Dublin mesmo a tempo de ver a zona mais festiva da cidade começar o seu fervilhar noturno.

Temple bar é o nome de uma zona maioritariamente de pubs, restaurantes e animação noturna e também de um pub que é já um símbolo mas também excessivamente turístico. Embora ainda fosse cedo muitos dos pubs já estavam cheios e demasiado barulhentos, pelo que preferimos escolher uma esplanada mais tranquila onde descansar um pouco antes do jantar. Acho que os nossos dias de festa dura já lá vão 🙂

3º dia.

De Sandymount ao centro de Dublin é uma caminhada e tanto mas fazê-lo foi a melhor forma de conhecer um pouco mais desta aldeia costeira que é um subúrbio de Dublin com casas e jardins lindos, muitas delas antigas e senhoriais.

Passámos em Herbert park onde todos os Domingos há um mercado de comida. Os comerciantes estavam ainda a instalar-se pelo que não vimos tudo o que havia para ver mas pelo menos os cupcakes não me escaparam, além do mais Dublin aguardava e havia ainda tanto para explorar.

Enquanto íamos caminhando de Sandymount até ao centro de Dublin foi inevitável lembrar-me de Park Slope, em Brooklyn. A semelhança é incrível! E o modo de vida também. A organização urbanística da cidade é diferente mas as fachadas das casas, lojas, restaurantes e cafés é mesmo muito parecida. Há imensos sítios onde comer desde o pequeno almoço, brunch, almoço ou jantar e sendo Domingo, os cafés e bistros estavam cheios de clientes para o brunch. A única diferença é que não vi nenhum esquilo a traquinar nos jardins alheios.

Parámos no Keoghs Cafe, conhecido por ter dos melhores scones da cidade. Um espaço interior pequeno, cheio até às costuras com um balcão de atendimento na entrada que sustenta uma variedade considerável de monumentais scones, muffins e afins. Confesso que mal passei a porta estanquei, perante o tamanho e a variedade expostos. Mas assim que desci novamente à terra, pedi o scone de framboesa e o João o muffin de limão, com um latte e um expresso. Reza a história que o scone era ótimo e sabe-se de fonte segura que o muffin não lhe ficou atrás.

Seguimos caminho dia fora pelas muitas ruas da cidade, nas margens norte e sul do rio Liffey. E como quem anda por gosto não cansa, nem dá importância ao relógio, já a tarde ía a meio quando de volta a Temple bar entramos num pub para almoçar. Já tínhamos passado na entrada principal do Merchants Arch na noite anterior, pouco sabíamos sobre o espaço mas decimos confiar no testemunho de um rapaz italiano e mergulhámos porta adentro esperando o melhor. Subimos ao primeiro piso de onde tinhamos uma vista previligiada sobre o bar e os músicos lá em baixo e eventualmente o melhor lá veio,  ao som de música tradicional irlandesa, na forma de estufado irlandês, sopa de batata acompanhada com pão de trigo integral e manteiga e uma salada césar. Ao lado duas Guiness que só para que conste têm um travo a café e uma espuma de tal forma deliciosa e macia que me fazem lembrar a versão salgada de um capuccino, e como têm pouco alcool parecem quase refresco… refresco de capuccino, salgado… se é que isto faz algum sentido… Nem é preciso dizer que foi a bebida de eleição na nossa estadia por terras irlandesas.

A meio do nosso almoço/ lanche o pub que à nossa chegada estava pouco movimentado, estava agora com as mesas de baixo todas ocupadas. Ao som do violino e da viola o ritmo da música foi acelerando e agora todos batiam palmas e cantavam numa animação contagiante. Uma refeição tradicional num típico e rústico bar irlandês é uma experiência que não deve, nem pode ser menosprezada. O que me leva à alma da cidade, ou seja as pessoas, os irlandeses. E os irlandeses são pessoas super calorosas. A nossa estadia foi curta mas nas nossas andanças por território desconhecido falamos com várias pessoas que nos ajudaram a seguir o caminho certo, a encontrar os lugares que procuravamos, que nos ofereceram ajuda sem que a pedissemos, apenas porque se aperceberam no tom de português que falavamos entre os dois que estavamos à procura de algo. E com direito a mãozinha ternurenta nas costas por parte das senhoras mais velhas e referências à beleza de Portugal e ao vinho do Porto por parte dos cavalheiros. Contas feitas esta foi mais uma experência daquelas que não têm preço nem medida mas que nos acrescentam mais do que aquilo que é possível ver a olho nu.

Venham mais! 😉

 

In English

We landed in Dublin under a closed sky and a boring rain, courtesy of a February start on the far north, blissful on our first trip to Ireland.

Our first stop, still with suitcases and everything had to be a bar, not any bar but the classic and stunning The Bank which is located in the heart of the city in College Green. The space that was once a bank, was created in the 19th Century and is an example of Victorian splendor in every artistic detail of the construction. Everything here is good. The space, the service and the food. I only know that almost suddenly we were installed on the upper floor, with no suitcases to hinder and with two Guinness in front of us. And for eating? We started with fish and chips for him (fresh cod, dipped in batter and fried, with fries) and venison pie for me (stuffed veal tart topped with mashed potato gratin). The cod was inside, crispy on the outside, with no tip of excess fat. The pie was delicious, full bodied and comforting. Dublin was beginning to conquer us, and infallibly … through the stomach. Hours later we went to Sandymount, to the hotel.

Next day: Destination Galway

Galway’s most picturesque pedestrian area is a cluster of colorful streets that were packed full in the middle of the day and where several pubs, restaurants, shops and other services are to be found. The first stop was in the Galway street market, next to the church of St. Nicholas, were it takes place for centuries. Crafts, plants, fruits, vegetables, cheeses, jams and other treats attract locals and tourists. There I found a fantastic ceramist where I bought the pieces that can be seen in the first image and there I also saw the first rhubarb of the year, brussels sprouts still clinging to the stalks and parsnips, lots parsnips. On one of the stalls oysters were sold since Galway is a coastal city, it is also known for good seafood.

In the middle of the day we sampled the typical Irish brunch at Maxwells Bistro, a meal for champions: Bacon, black pudding, white pudding, sausages, new roasted potatoes, fried eggs, stewed beans, sliced bread, butter and jam, tea and coffee. More than enough fuel to spend the next few hours exploring the city. We also went to the Spanish Arch, near the mouth of the river Corrib, where the museum of the city is located. These arches are what remains of the bastion added to the city wall in the 16th century, in order to protect the ships from possible looting. The name, Spanish arch, could be a reference to the old commercial trade with Spain, since the Galleons docked frequently there, under it´s protection.

With the fall of the night we were back in Dublin just in time to see the most festive part of the city start its nightly buzz.

Temple bar is the name of an area of mostly pubs, restaurants and nightlife and also a pub that is already a symbol but also overly touristy. Although it was still early in the evening, many of the pubs were already full and too noisy, so we preferred to choose a quieter terrace where to rest a bit before dinner. I think our hard party days are already over 🙂

3rd day.

From Sandymount to the center of Dublin it is quite a walk but doing so was the best way to get to know a little more of this coastal village which is a suburb of Dublin with beautiful houses and gardens, many of them old manor houses.

We went to Herbert park where every Sunday there is a food market. The merchants were still settling in so we did not see everything there was to see but at least the cupcakes did not escape me, even because Dublin awaited and there was still so much to explore.

As we were walking from Sandymount to the center of Dublin it was inevitable to remember Park Slope in Brooklyn. The resemblance is incredible! And the way of life, too. The urban planning of the city is different but the facades of houses, shops, restaurants and cafes are very similar. There are plenty of places to eat from breakfast, brunch, lunch or dinner and being Sunday, the cafes and bistros were filled with customers for brunch. The only difference is that I did not see any squirrels trampling in the gardens.

We stopped at Keoghs Cafe, known for having some of the best scones in town. A small interior space, filled to the seams, with a counter at the entrance that supports a considerable variety of monumental scones, muffins and the like. I confess that I stoped as soon as I passed the door, given the size and variety exposed. But as soon as I came down to earth, I ordered the raspberry scone and John the lemon muffin, with a latte and an espresso. The story goes that the scone was great and it is known from a safe source that the muffin was not behind.

We headed out the many streets of the city on the north and south banks of the River Liffey. And as the one who enjoys to walk doesn´t get tired, nor gives importance to the clock, the afternoon was already halfway when we went back to Temple bar and enter a pub for lunch. We had already passed the main entrance of the Merchants Arch the night before, we knew little about the space but decided to give vent to the spirit of adventure and plunged in the inside hoping for the best. We went up to the first floor from where we had a privileged view of the bar and the musicians down there and eventually the best came to us, to the sound of traditional Irish music in the form of Irish stew, potato soup accompanied with brown bread and butter And a caesar salad. Two Guinness in front of us, which only for the record have a coffee aftertaste and such a delicious and soft foam that remind me of a salty version of a capuccino, and as they have little alcool they seem almost a soda …  salty, capuccino, soda… if that makes any sense … Needless to say, it was the drink of choice in our stay on Irish land.

In the middle of our mid afternoon lunch, the pub that upon our arrival was little busy, was now with the bottom tables all occupied. To the sound of violin and viola the rhythm of the music was accelerating and now they all clapped and sang in contagious animation. A traditional meal in a typical, rustic Irish bar is an experience that should not be overlooked. Which brings me to the soul of the city, namely the people, the Irish. And the Irish are wonderful, super friendly people. Our stay was short but on our journeys through unknown territory we spoke with several people who helped us to follow the right path, to find the places we were looking for, that offered us help without our asking, just because they realized by the tone of Portuguese that We were talking between the two of us that we were looking for something. And with the tender, little hand on the back by the older ladies and references to the beauty of Portugal and the port wine by the gentlemen. Accounts made this was one more of those experiences that have neither price nor measure but that add us more than what is possible to see with the naked eye.
More adventures? Bring it on! 😉

 

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Ingredientes:

  • 320 g de farinha de espelta
  • 300 ml de leite
  • 1 ovo batido
  • 300 g de bananas maduras e esmagadas
  • 1 colher de chá de gengibre ralado
  • 2 colheres de chá de fermento em pó
  • 2 colheres de sopa de mel claro
  • 1 pitada de sal
  • 2 colheres de chá de extrato de baunilha

Para servir:

  • Mirtilos
  • Iogurte grego
  • Mel

 

Preparação:

  1. Junte todos os ingredientes numa taça e mexa sem bater, até que fiquem ligados.
  2. Aqueça bem uma sertã anti aderente e verta porções de massa na mesma, cozinhe cerca de 2 minutos, se tanto, em lume médio baixo para que não queimem. Como a massa leva mel queimam com mais facilidade.
  3. Assim que começarem a aparecer bolhas na superfície da massa vire e cozinhe do outro lado.
  4. Pode fazer as panquecas do tamanho que mais gostar. Eu usei uma colher de gelado para dosear a massa e fazer panquecas pequenas.
  5. Sirva ainda quentes com iogurte grego, mel e mirtilos.

 

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Ingredients:

  • 320 g of spelt flour
  • 300 ml of semi skimmed milk
  • 1 egg, beaten
  • 300 g of ripe, mashed bananas
  • 1 teaspoon grated fresh ginger
  • 2 teaspoons baking powder
  • 2 tablespoons light honey
  • 1 pinch of salt
  • 2 teaspoons vanilla extract

To serve:

  • Blueberries
  • Greek yogurt
  • Honey

 

Preparation:

  1. Add all the ingredients in a bowl and stir without beating, until well blended.
  2. Heat a non sticking frying pan and pour batter portions into it, cook about 2 minutes, on medium low heat so they do not burn. The batter has honey in it so they may burn more easily.
  3. As bubbles begin to appear on the surface of the pancakes turn and cook on the other side.
  4. You can make the pancakes the size you like the most. I used an ice cream scoope to dose the batter and make small pancakes.
  5. Serve still warm with Greek yogurt, honey and blueberries.

 

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