Conchiglioni de Verão # Summer conchiglioni

 

O meu estômago e coração têm uma fraqueza assumida por massas. Massas alimentícias, massas de pão, massas areadas, com destaque para as primeiras já que a receita desta vez inclui conchiglioni, estas conchas lindas, enormes, promessa de abundância de sabores reconfortantes de Verão. Uma tela em branco, uma base de sabor que colori e impregnei com as cores e aroma dos tomates maduros e dos pimentos verde e vermelho, um toque de azeitona preta, o perfume da segurelha (eu disse-vos que ultimamente ponho segurelha em muito do que se cozinha por aqui) e uns quantos raios de sol que libertam na brisa o que de melhor têm os ingredientes da estação. Sem segredos ou mistério esta é simplesmente uma saborosa receita caseira de inspiração mediterrânica, sem pretensões a algo mais. E isso por aqui é satisfação garantida.

Entretanto e embora já tenha passado algum tempo desde que estive em Trás os Montes, só agora tive tempo para editar e publicar aqui algumas imagens.
Foi uma viagem de trabalho que acabou por ser também de descoberta. Vi pela primeira vez o Douro Internacional do alto do miradouro de S. João das Arribas. Um Douro verde, de caudal estreito, a passar por entre arribas duras, de natureza agreste, pertencentes de um lado a Portugal e do outro a Espanha. Uma paisagem megalómana que reduz o corpo a um ponto perdido no universo mas que expande a alma para além do infinito. Vi muitos campos de castanheiros em flor e muitas flores nas varandas e jardins alheios. Descobri a Aldeia Nova em Miranda do Douro onde as placas nas ruas estão escritas primeiro em mirandês e depois em português, o preservar daquela que é a segunda língua oficial portuguesa. Olhei rostos bem portugueses, ora rosados e lisos, ora com rugas vincadas à força bruta do sol e do frio, todos eles cheios de beleza. Comi a genuína posta mirandesa, costeleta de vitela e javali, batatas a murro, vegetais de hortas particulares, compota caseira de cerejas da terra, bola de carne tenra e amanteigada e enchidos. Passei por olivais, carvalhos centenários e campos dourados de trigo e centeio. E por fim cheguei à aldeia de Montesinho. Subi à barragem da Serra serrada e no regresso sentei-me à mesa de um café da aldeia a ouvir histórias de quem agora vive da castanha e em alguns casos do turismo. Da destruição que os veados deixam de cada vez que baixam à aldeia para comer os castanheiros novos e no tempo delas também as castanhas, já para não falar das hortas. E dos receios da concorrência, próprios de quem vive numa aldeia pequena cada vez mais virada para o turismo. Fiquei num pequeno paraíso guardado entre muros velhos de granito e campos cheios de hortelã.
E ao voltar a casa, voltei cheia de muitas coisas que não ocupam lugar mas que me preenchem muito mais do que muito do que é visível a olho nu.

P.S. E agora uma novidade! Há algum tempo fui convidada a escrever para o Wall Street International (versão portuguesa) e o meu primeiro artigo foi publicado ontem 🙂

In English
My stomach and heart have an assumed weekness for all things dough. Pasta dough, bread dough, flaky dough, especially the first since the recipe this time includes conchiglioni, these beautiful, huge shells, promisse of abundance of comforting Summer flavors. A blank canvas, a base of flavor that I painted and impregnated with the colors and scent of ripe tomatoes and green and red peppers, a touch of black olive and some savory (I told you that lately I use savory in almost everything that is cooked around here) and a few sunbeams liberating in the breeze the best of these seasonal ingredients. Without secrets or mistery this is simply a mediterranean inspired, tasty, homemade recipe without pretensions of being something else. And around here that means satisfaction guaranteed.

In the meantime and although it´s been some time since my trip to Trás os Montes, only now I had the time to edit some photos to post here.
It was a work trip that turned out to be a discovery one as well. I saw for the first time the Internacional Douro in S. João das Arribas. A green Douro with a narrow stream, passing through harsh cliffs of ragged nature, belonging on one side to Portugal and on the other side to Spain. A megalomaniac landscape that reduces the body to a lost point in the universe but expands the soul beyond infinity. I saw many fields of flowering chestnut trees and many flowers on the balconies and gradens of strangers. Discovered Aldeia Nova in Miranda do Douro where the street signs are written first in mirandese and then in portuguese, the preserving of that that is the second official portuguese language. I looked at many truly portuguese faces, some pink and smooth and some with wrinkles made by the brute force of the sun and the cold, all of them filled with beauty. I ate the genuine posta mirandesa, veal chop and wild boar, roasted, punched potatoes with olive oil and garlic, vegetables from private kitchen gardens, homemade cherry compote, buttery and tender meat bola and smoked meats and chouriço. I went through olive groves and oaks with centuries of age and golden fields of wheat and rye. And then I finally reached the village of Montesinho. I hicked to the dam of Serra Serrada and when I returned I sat at a café table listening to the stories of those who now live almost exclusively from the chestnut groves and in some cases the tourism. Stories about the destruction that deer leave each time they descend to the village to eat the new chestnut trees and when in season the chestnuts too, not to mention the kitchen gardens. And the fear of competition in the people of a small village that lives more and more for and from the tourism. I stayed in a small paradise kept between old granite walls and fields covered with wild mint.
And upon returning home I found myself filled with many things that don´t occupy space but which fulfill me more than much of what is visible to the naked eye.

P.S. And now some news! Some time ago I was invited to write for Wall Street International (portuguese version) and my first article was published yesterday 🙂

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ingredientes: 4 pessoas
400 g de massa conchiglioni
2 peitos de frango cortados em cubos
150 g de pimento vermelho cortado em tiras finas
150 g de pimento verde cortado em tiras finas
200 g de tomates chucha mini, cortados ao meio
1 colher de sopa de rodelas de jalapeños em conserva (opcional)
1 dente de alho picado
2 colheres de sopa de azeite
5 hastes de segurelha
2 dl de caldo de galinha de boa qualidade ou caseiro
1 colher de sopa bem cheia de polpa de tomate
1 colher de chá de pasta de azeitona preta
Sal a gosto
Pimenta preta a gosto
Folhas de salsa e de segurelha para decorar

Preparação:
*Num tacho grande aqueça o azeite, aloure os pedaços de frango até toda a carne ficar opaca e levemente dourada, cerca de 6 minutos, mexendo para virar.
*Junte os pimentos, os tomates, o alho picado e refogue durante 1 ou 2 minutos.
*Junte a pasta de azeitona, o caldo de galinha, a segurelha, os jalapenõs (se não gostar de picante descarte os jalapenõs) e a polpa de tomate, tempere com sal e pimenta preta a gosto e deixe cozinhar com o tacho destapado até o frango estar cozinhado, cerca de 10 a 15 minutos. Tire do lume e reserve.
*Entretanto coza a massa em bastante água a ferver temperada com sal, por cerca de 15 minutos, escorra e ponha dentro do tacho com o frango, leve de novo ao lume e misture bem, cozinha apenas por alguns minutos só para que a massa absorva o molho do frango.
*Sirva com folhas de salsa e de segurelha e azeitonas pretas.

Ingredients:
400g conchiglioni
2 chicken breasts cut into cubes
150g red pepper cut into thin stripes
150g green pepper cut into thin stripes
200g baby roma tomatoes
1 tbs pickled jalapenõs
1 clove of garlic, chopped
2 tbs olive oil
5 springs of savory
200 ml good quality chicken stock
1 tbs tomato passata
1 tsp black olive paste
Salt to taste
Freshly ground black pepper to taste
Parsley and savory leaves to serve

Preparation:
*Heat the olive oil in a large pan, cook the chicken cubes until all the meat becomes opaque and slightly golden, about 6 minutes, stirring to turn the meat.
*Stir in the peppers, tomatoes and garlic, cook for a couple of minutes.
*Add the black olive paste, the chicken stock, savory,  jalapenõs (don´t use them if you don´t like heat) and the tomato passata, season with salt and pepper and cook until the chicken is done, about 10 to 15 minutes.
Take out of the heat and keep for latter.
*In the meantime cook the pasta in plenty of boiling, salty water for about 15 minutes until al dente, drain and put the pasta inside the pan with the chicken, take to the heat and cook a bit just so the pasta absorbs the sauce.
*Eat with a few savory and parsley leaves and black olives.

 

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