A nossa viagem a Itália 2 # Our trip to Italy 2

Florença

 

Florença. Fim de dia, quase a anoitecer e nós no meio do caos da cidade, a tentarmos chegar ao hotel com o GPS completamente baralhado pelas alterações rodoviárias, causadas pelas obras em curso. Das muitas aventuras que o pacote “viajar” abarca,  andar perdido numa cidade fortemente turística, que não se conhece e em hora de ponta, não tem nada de lúdico mas nada como uma boa dose de stress para ativar o instinto de sobrevivência, e muitas voltas depois lá chegamos finalmente ao destino.

Largamos a bagagem no hotel, “despachamos” o carro para o estacionamento e aí sim, voltamos a apresentar-nos devidamente a Florença, e ela, como quem quer compensar uma falha ou sublimar um erro, dá-nos a vista majestosa e surpreendente do Duomo como primeiro presente de boas vindas. E eu numa reação ainda mais surpreendente emocionei-me até às lágrimas! Coisa que ainda está para ser explicada mas que os dias seguintes iriam provar não ser caso único.

Nessa noite selamos a amizade com Firenze ao sabor de um risotto de porcinni e ravioli de ricotta e espinafres com manteiga de salva, regados com tinto da Toscana.  Na manhã seguinte iríamos então vê-la pela primeira vez à luz do dia.

Começamos pelo mercado central. Muito queijo. Muitas alcachofras. Muito presunto e enchidos. Muitas massas, de todas as cores e feitios. Muito radicchio, folhas verdes e ervas aromáticas. E umas quantas cabeças de porco, estrategicamente penduradas para dar um pouco de drama ao cenário. No piso de cima estão vários restaurantes num espaço amplo que em horas mais tardias costuma ser bastante frequentado.

Voltamos ao Duomo que se mantinha majestoso e emocionante, desde sempre e para sempre. E seguimos para o café Gilli para o pequeno almoço. O Gilli é uma instituição em Florença e um clássico. As montras são um show por si só. Ricamente decoradas com abundância de doces, flores e tecidos drapeados e como estávamos perto da Páscoa, os ovos de chocolate e doces da época eram a atração principal. Entrar lá foi como mergulhar de cabeça na fantástica e hipnótica toca do coelho rumo ao país das maravilhas, para depois encontrar na mesa de chá do chapeleiro (neste caso de pequeno almoço) a deliciosa leveza doce do mil folhas de creme e da tarte de ricotta, apreciados com finos goles de cappuccino espumoso e café italiano, uma pequena bomba cremosa de cafeína.

De volta à terra percorremos as ruas da cidade. A Praça della Signoria com o Palácio Vecchio e várias estátuas, entre elas a réplica de Davi de Michelangelo. Atravessamos a ponte vecchio sobre o rio Arno, ladeada por lojas de ourivesaria com toldos que lembram a idade média e subimos à Piazzale Michelangelo, passando pelo bonito jardim das rosas. Ao chegar à Piazzale a vista panoramica sobre Florença é inesquecível. Subimos mais um pouco e deixámo-nos ficar sob o silêncio e a frescura do mármore do interior da igreja  de San Miniato Al Monte.

Nessa noite jantamos na Trattoria S. Lorenzo, al fresco. Bruschette como anti pasti, almondegas com um molho de tomate que me ficou na memória e com puré de batata e tripas e o melhor tiramisu que comi em Itália.

Na manhã seguinte voltámos aos tranquilos campos da Toscana, a caminho de Castiglione della Pescaia, na costa. Passamos pela feira local onde num restaurante ambulante se vendia peixe fresco para fritar na hora. Subimos ao centro histórico e no regresso provei um dos aperitivos mais conhecidos em Itália, o Spritz. Só a cor já conquista mas o sabor é ainda melhor.

(continua…)

Links:

Florença:

Mercado Central

Café Gilli

Trattoria S. Lorenzo

Ristorante Giannino

 

In English

Florence. End of day, almost dusk and we in the middle of the chaos of the city, trying to get to the hotel with the GPS completely shuffled by the road changes, caused by ongoing works. Of the many adventures that the “travel” package encompasses, being lost in a heavily touristy city that we don´t know and at rush hour has nothing playful about it, but nothing like a good dose of stress to activate the survival instinct, and many turns after that, we finally arrived at the destination.

We left the luggage at the hotel, “dispatched” the car to the parking lot, and then we returned properly to Florence, and she, like someone who wants to compensate for a fault or sublimate a mistake, gives us the majestic and surprising view of the Duomo as a first welcome gift. And I, in an even more startling reaction moved me to tears! A thing that is yet to be explained but that the following days would prove not to be a single case.

That night we sealed our friendship with Firenze to the taste of a creamy porcinni risotto and ricotta and spinach ravioli with sage butter, washed down with a full bodied red from Tuscany. The next morning we would see her for the first time in daylight.

We started by the central market. A lot of cheese. Lots of artichokes. Plenty of ham and cured meats. Lots of pastas of all colors and shapes. Lots of radicchio, green leaves and aromatic herbs. And a few pig heads, strategically hung to give some drama to the scenery. Upstairs are several restaurants in a large space that are usually very busy.

We returned to the Duomo which remained majestic and exciting. And we headed to Gilli’s for breakfast. Gilli is an institution in Florence and a classic. The café windows are a show by themselves. Richly decorated with plenty of small cakes, flowers and draped fabrics and as we were close to Easter, the chocolate eggs and sweets of the were the main attraction. Going in there was like plunging headlong into the fantastic and hypnotic ring of the rabbit heading for the wonderland, and then find on the hatter’s tea table (in this case breakfast) the delicious sweet lightness of a cream millefoglie and the ricotta tart , enjoyed with fine sips of foamy cappuccino and Italian coffee, a small, creamy caffeine bomb.

Back to earth we walked the streets of the city. The Piazza della Signoria with the Palazzo Vecchio and several statues, among them Michelangelo’s replica of David. We cross the bridge vecchio on the river Arno, lined by jewelery shops with awnings that remind us of the middle ages and we ascend to Piazzale Michelangelo, passing by the beautiful Garden of Roses. When arriving at Piazzale the panoramic view over Florence is unforgettable. We climbed a little higher and let ourselves be still under the silence and freshness of the marble of the interior of the church of San Miniato Al Monte.

That night we had dinner at the S. Lorenzo trattoria, al fresco. Bruschette as anti pasti, meatballs with a tomato sauce that continues printed in my memory with mashed potatoes and tripe and the best tiramisu I have eaten in Italy.

The next morning we returned to the peaceful beauty of the Tuscan countryside, on the way to Castiglione della Pescaia, on the coast. We visited the local market where a restaurant was selling fresh fish to be fried on the spot. We went up to the historic center and on the way back, tasted one of the best known appetizers in Italy, the Spritz. Only the color already conquers but the taste is even better.

(to be continued…)

Links

Florence:

Central Market

Café Gilli

Trattoria San Lorenzo

Ristorante Giannino

 

Jardim das Rosas / Garden of the Roses

 

Castiglione della Pescaia

 

 

Toscana a caminho de Grosseto / Tuscany on our way to Grosseto

 

 

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