Uma tarte rústica de alheira, couve e maça verde | Alheira, green cabbage and green apple rustic tart

 

É um dos “meus” lugares. Um pedaço de chão que me acolhe entre os afetos genuínos de quem lá vive e as sombras ondulantes e verdes das tílias e dos castanheiros. Terra fértil de vivências, onde os dias se medem pelo tamanho do bem querer e onde a mesa é sempre linda e farta como os corações que ali habitam.

O meu último regresso foi num dia já de Outono, coberto por um céu cinzento mas suave. À chegada os risos e abraços que conheço tão bem e um tapete de folhas amarelas, rubras e cor de fogo que se estendia até ao caminho de calçada portuguesa. Entramos em casa… A casa que tudo alberga, até os sonhos.

Prometi a todos que desta vez lhes levaria uma tarte, igual à que tinha cozinhado cá em casa para um  dos nossos jantares e que tinha deixado as melhores recordações. Alheiras barrosãs, couves cozidas num caldo aromático e maças verdes, guardadas numa caixa rústica de massa areada. Perfeita também para um dia passado no campo entre bons amigos.

Dias depois mais uma vez o Porto. A cidade que durante anos esteve adormecida e quase deixou de pulsar e que agora vibra com uma energia nova e contagiante. Gosto da cidade no Outono. De calcorrear as ruas desde S. Catarina, subindo aos Clérigos, passando pela galeria de Paris, Carlos Alberto e Cedofeita. Ou de me deixar ir à deriva, descobrindo novas ruas e novos recantos e respirar tudo o que a cidade tem agora para oferecer. De parar nos sítios do costume para comprar coisas bonitas e saborosas, ou então tomar um café ou um chocolate quente e claro, para comer castanhas assadas ainda quentes e macias.

In English
Is one of  “my” places. A piece of land that welcomes me between the genuine affection of those who live there and the rolling, green shadows of the linden and chestnut trees. Land fertile of life experiences, where the days are measured by the size of the wishing well and where the table is always beautiful and bountiful, just as the hearts that live there.

My last return was alreay in an Autumn day, covered by a smooth, gray sky. Upon arrival the laughs and hugs I know so well, and a carpet of yellow, crimson and fire coloured leaves, that extended into the path of cobblestone. We entered the house… The house that houses everything, even dreams.

I promissed everyone that this time I would bring a pie, like the one I had cooked at home for one of our dinners together, that had caused the best of impressions.Alheiras from the Barroso, green cabbage cooked in an aromatic broth and gree apples, kept in a rustic, flaky pastry crust box. Perfect also for a day spent in the country, among good friends.

Then once again Porto. A city that has been asleep for years and nearly stopped beating, and that now vibrates with a new and contagious energy. I love the city in Autumn. To walk the streets from S. Catarina, going up to Clérigos, through the Galerias de Paris, Carlos Alberto and Cedofeita. Or just drifting, discovering new streets and nooks and breathe everything  the city has to offer now. To stop in the usual places to buy pretty and taty things, or just to have a coffee, or a hot chocolate, and of course, to eat soft and still hot roasted chestnuts.

 

 

 

 

 



Ingredientes: Para 1 tarte grande
Para a massa:
600 g de farinha
300 g de manteiga sem sal bem fria, cortada em cubos
3 ovos bem frios
1 colher de chá de sal
0,5 dl de água fria
Para o recheio:
1 kg de couve coração, cortada em tiras
1 lt de caldo de galinha
400 g de alheira
4 a 5 maças verdes médias,cortadas em fatias
1 alho francês médio picado
1 colher de sopa de azeite
Sal a gosto
Pimenta preta a gosto

1 ovo batido com um pouco de leite para pincelar

Preparação:
*Refogue o alho francês no azeite quente até ficar macio. Junte o caldo e assim que levantar fervura junte a couve cortada. Deixe a couve cozer com o tacho destapado até ficar bem macia, o que pode demorar cerca de 30 minutos. Tempere com sal e pimenta preta a gosto.
*Coe a couve com o alho francês e deixe arrefecer.
*Abra as alheiras e desfaça o recheio, misture-o com as couves cozidas e reserve.
*Para fazer a massa misture a farinha com o sal e a manteiga num processador até ficarem tipo migalhas grossas. Junte os ovos e a água e misture novamente até formar uma bola.
*Coloque a massa numa superfície enfarinhada, divida-a em duas partes e forme discos com cada uma delas. Embrulhe em película aderente e leve ao frio por 20 minutos.
*Estenda uma das metades de massa numa superfície enfarinhada e forre com ela uma forma de fecho e fundo falso previamente untada com manteiga (forma com 20 cm de diâmetro).
*Tape com película e leve ao congelador por 20 minutos, para que a massa fique bem areada.
*Tire a forma forrada do congelador e cubra o fundo com fatias não muito finas de maça. Por cima coloque a mistura de couve e alheira e cubra o topo com nova camada de fatias de maça.
*Pré aqueça o forno a 200º, marca 6 do fogão a gás.
*Estenda a segunda metade da massa e cubra a tarte com ela, fazendo um furo largo no meio para que o recheio possa “respirar” no forno. Una as bordas da massa com as pontas dos dedos.
*Pincele a superfície da tarte com ovo batido com um pouco de leite.
*Decore como mais gostar. Pode cortar folhas e ramos de massa e colocar em cima da superfície pincelada.
*Pincele as decorações com a mistura de ovo e leite e leve ao forno. Passados 20 minutos baixe a temperatura para os 180º, marca 4 do fogão a gás. Se a tarte começar a ganhar cor rapidamente cubra com papel de alumínio.
*Deixe no forno por mais 25 a 30 minutos.
*Tire do forno, deixe arrefecer por 5 minutos e abra a forma. Eu sirvo esta tarte ainda na base da forma para evitar que se parta.
*Pode ser comida quente mas é ótima também à temperatura ambiente.

 

Ingredients: for a big tart
For the pastry:
600 g cake flour
300 g cold unsalted butter, cut into cubes
3 cold eggs
0,5 dl cold water
1 tsp salt
For the filling:
1 kg shredded green cabbage
1 lt good quality chicken stock
400 g of alheiras (portuguese chicken and spicies sausage)
4 to 5 medium green apples
1 medium leek, chopped
1 tbsp regular olive oil
Salt to taste
Black pepper to taste (preferably freshly ground)

1 egg beaten with some milk for the egg wash,

Preparation:
*Fry the leek in the hot olive oil until softt. Add the stock and when it comes to a boil add the cabbage. Cook with the pan uncovered until the cabbage is soft and tender, which may take about 30 minutes or so. Season with salt and black pepper to taste.
*Drain the cabbage and leek and let it cool a bit.
*Cut the alheiras and remove the filling. Mix the filling with the cabbage and keep for later.
*Make the pastry. I use a food processor to make it but you can make it by hand if you prefer. Put the flour, salt and butter into the food processor and blitz until rough crumbs form. Add the eggs and water and blitz until it becomes a ball of dough.
*Put the pastry on a floured surface and divide it into two parts. Cover them with clingfilm and put in fridge for 30 minutes.
*Butter a 20 cm of diâmeter springform pan.
*Roll out one of the pieces of pastry onto a floured surface and line the pan. Cover the bottom of the pastry with not to thin slices of apples. Spread the cabbage and alheira mixture on top and cover with more slices of apple.
*Preheat the oven to 200º, 400F, gas mark 6.
*Roll out the second piece of pastry onto a floured surface and cover the filling with it. Press the edges with your fingertips to close the pastry case. Make a hole in the middle so the filling may “breathe” while in the oven. I use a pastry bag tip to do it.
*Brush the surface of the tart with the egg wash. Now, if you like it, you can cut some pastry leaves and branches with a knife and place them on top of the tart for decoration. Brush them with egg wash too.
*Bake for 20 minutes. If the tart begins to gain color quickly cover it with tin foil. After 20 minutes, reduce the oven temperature to 180º, 350F, gas mark 4 and bake for 25 to 30 minutes more.
*Remove from the oven, wait for 5 minutes and open the pan to unmold. I serve it still in the pan base, to prevent it from breaking.
*You can have it hot, but it´s great also at room temperature.

 

 

 

 

 

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14 thoughts on “Uma tarte rústica de alheira, couve e maça verde | Alheira, green cabbage and green apple rustic tart

  1. Olá!

    Sou do Porto e identifico-me muito com as suas palavras. Parabéns pelo trabalho! O seu blog é realmente especial.

    No que concerne a esta receita em específico, questiono-me se poderei sbstituir a maçã por outra coisa – confesso que não sou fã de utilizar fruta em salgados. o Que poderia funcionar aqui? Rábano? Talvez seja demasiado ácido..

    Fico à espera de uma sugestão!

    Tenha umbom dia!

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  2. Xana,
    Pessoalmente gosto muito do contraste entre a maça verde e o sabor fumado e avinagrado das alheiras barrosãs. Pode sempre deixar as maças de fora e talvez substituí-las por uma camada de alho francês que fica muito bem com as couves e as alheiras, mas refogado em pouco azeite, porque as alheiras já são gordas. Rábano para mim não é uma boa opção, mas é apenas uma questão de gosto pessoal.

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  3. Adoro o Porto e sempre que posso vou passar uns dias aí…
    Fantástica, esta tarte cheia de sabor! Esta vou ter mesmo que fazer, não consigo resistir! Não sei se consigo fazer tão bonita como a sua, mas vou tentar.
    beijinhos

    Gostar

  4. Adoro o Porto e sempre que posso vou passar uns dias aí…
    Fantástica, esta tarte cheia de sabor! Esta vou ter mesmo que fazer, não consigo resistir! Não sei se consigo fazer tão bonita como a sua, mas vou tentar.
    beijinhos

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  5. Cá em casa as alheiras são sempre do Barroso. Ainda ontem fui buscar umas à mercearia “Comer e chorar por mais”, juntamente com um belissimo e gigantesco pão de Bragança. Estas alheiras avinagradas são perfeitas para a maçã: aqui acompanhamos sempre a alheira com uma esmagada de maçã e castanha cozida. Uma pitada de erva doce e fica perfeito. Tens que experimentar.
    E por isso sei que vou gostar desta tarte tão bonita que fizeste, pois tem sabores que me são muito queridos e que me fazem voltar a casa sempre que os saboreio 🙂

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  6. Um toque de canela,
    E é tão bom quando nos perdemos por instantes e deixamos a vida rolar por conta da imaginação 🙂
    Beijinhos

    Paula Moita,
    O Porto é uma cidade renascida que vale bem a pena visitar. Quanto à tarte, tenho a certeza de que a sua vai ficar linda!
    Beijinhos

    Ondina,
    Agora compro-as na Mercearia do Bolhão, (na mesma rua) e são ótimas combinadas com as couves e com a maça verde assada.

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