Pudim de Verão…

Solstício de Verão…Muito do que sou começou neste dia. As horas moldaram-me como se molda um pedaço de barro, vivência a vivência…. Amor, alegria, sofrimento, tristeza, alegria, Amor. Ou então sempre fui esta, assim, e o calor do sol daquele dia de solstício, apenas deu início à revelação…. Não sei…. Mas sei que este é um dia fora dos dias. Já foi de rosas chá, orquídeas brancas, heras e outros tons de verde. Já teve o azul do mar, visto do alto de uma torre construída em chão sagrado. Já teve brilhos e risos e crianças, que não eram ainda as minhas, a correr e a brincar.
Na manhã desse dia, eu vesti a pele de um perfume raro que mais ninguém conhece e ao chegar à torre, o vento veio do mar, e enfeitou-me o cabelo com cristais de sal muito brancos e muito puros.  Misturaram-se emoções, sentimentos, sabores, cores e perfumes que na cadência do passar das horas, apuraram e elevaram por momentos a vida à sua quinta essência. Eu e tu… Eu já não sou eu, tu já não és tu. Mas também, ainda antes de o sabermos já eramos apenas Nós… 
Hoje há um novo solstício para celebrar com vinho, pão e rosas, e cerejas doces e rubras e tudo o mais que está aqui guardado…

Pudim de Verão 

Receita adaptada do livro “12 meses de cozinha”

Este pudim é uma receita tradicional inglesa e nele são usados os frutos do Verão, daí o nome Pudim de Verão. Morangos, ameixas vermelhas, groselhas, framboesas e pêssegos são misturados, cozidos brevemente em lume muito brando e depois servem de recheio a uma ou mais formas revestidas com fatias de pão de forma. Eu usei apenas cerejas bem maduras e ameixas vermelhas, o que deu ao meu pudim de Verão um tom de rosa mais escuro, quase púrpura (lindo).
Depois de ir ao frio por 8 horas, desenforma-se facilmente e já na mesa, acompanha-se de natas bem frias batidas e ligeiramente açucaradas.
O açúcar é uma questão de gosto. Como não usei frutas ácidas como a groselha por exemplo, juntei um pouco menos de açúcar já que tanto as cerejas como as ameixas eram (são) muito doces.
O sumo das frutas deve ser todo recolhido, mesmo o que se solta durante o corte.

Ingredientes:
10 fatias (ou mais um pouco, dependendo do tipo de forma usado) de pão de forma fatiado (sem côdea)
400 g. de cerejas maduras, sem caroço
200 g. de ameixas vermelhas, sem caroço e sem pele
80 g. de açúcar
Natas frescas batidas para acompanhar

Preparação:
*Forre 2 formas pequenas de soufflé (ou uma média) com as fatias de pão. Corte-as de forma a que preencham cada espaço das paredes e base das formas. O formato dos pedaços não importa, desde que cubram a forma.
*Corte as cerejas já sem caroço ao meio e as ameixas em pedaços pequenos. Junte as frutas numa caçarola e polvilhe com o açúcar, deixe assim por 15 minutos.
*Leve a caçarola a lume muito brando e assim que levantar fervura, ferva a fruta apenas 2 a 3 minutos e retire do calor.
*Deixe arrefecer e libertar os sucos naturais da fruta.
*Retire 3 colheres de sopa do sumo da fruta e reserve para depois molhar os pedacinhos de pão que ficarem brancos.
*Encha as formas forradas com a fruta cozinhada, bem até cima, pressionando para que fique compacta. Tape o recheio com mais  fatias de pão.
*Ponha um prato em cima de cada forma com um peso e leve ao frio por 8 horas, ou de um dia para o outro.
*Passado esse tempo, passe uma faca pelas bordas das formas e desenforme os pudins (desenformam muito facilmente).
*Comem-se com colheradas de natas frescas batidas.

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