10 anos de Pratos e Travessas + Pho Bo # 10 years of Pratos e Travessas + Pho Bo

 

Uma fatia de bolo. Simples mas de chocolate, claro. É que ontem o Pratos e Travessas, este blog, completou uma década. Dez anos que abarcam tanto… Continue reading “10 anos de Pratos e Travessas + Pho Bo # 10 years of Pratos e Travessas + Pho Bo”

Advertisements

Sopa de couve flor, cogumelos marrom e tomilho # Cauliflower, cremini mushrooms and thyme soup





Voltei  há uma semana e pouco de uma daquelas viagens únicas que me lavam a alma e deixam de fora da correnteza do tempo. Demorei dias até ter os dois pés novamente fincados no chão e mesmo agora, parte de mim parece ainda estar longe, num lugar intangível, impossível de encontrar num qualquer mapa.

A viagem de regresso a casa começa sempre por ser uma coisa estranha, boa mas ainda assim estranha. Uma mudança brusca de ar e de ritmo. Horas e horas parada, entre estações frias, enfumaçadas e comboios ruidosos, à espera, simplesmente à espera… O desacelerar é lento,  contrafeito e enquanto isso à minha frente desfila o vai e vem dos que chegam e dos que partem, num turbilhão de emoções, riso, choro e também apatia. Valem-me ao menos as saudades imensas dos meus homens mais novos e saber que  todos os desejos de comida caseira, por agora já impossíveis de disfarçar, serão em breve satisfeitos. O que me leva aos crumbles, aos arrozes e claro às sopas, como esta, de couve flor, cogumelos marrom e tomilho. A junção de alguns dos meus ingredientes preferidos numa sopa cremosa, de sabor intenso e reconfortante.

E de volta a casa, mais algumas imagens do Porto 🙂



In English
I´ve just returned from one of those unique trips that cleanse my soul and leave me out of the stream of time. It took me several days to have both feet planted firmly on the ground again and even now I feel that part of me still seems to be far away, in an intangible place, impossible to find in any map.

The homecoming trip starts always by being strange, good but nevertheless strange. A sudden change of air and pace. Hours and hours still, between cold, smoky stations and noisy trains, waiting… I decelerate slowly, while in front of me parades the comings and goings of those arriving and departing in an whirlwind of emotions: laughter, cry, apathy. At least I´m longing to see my younger men and I know that all of my homemade food cravings (by now impossible to disguise)  will soon be satisfied. Which brings me to crumbles, rices and of course soups, like this one, made with cauliflower, cremini mushrooms and thyme. The joining of some of my favorite ingredients in a creamy soup, with intense and comforting flavor.

And back home I took a few more shots of Porto 🙂











Ingredientes:
1 kg de couve flor
150 g de cogumelos marrom
2 batatas médias cortadas em pedaços pequenos
1 cebola média picada
2 colheres de sopa de azeite
Cerca de 1 lt de caldo de vegetais, talvez um pouco mais, de preferência caseiro
Sal a gosto
1/2 colher de sopa de tomilho seco

Preparação:
*Aqueça o azeite numa panela grande e frite a cebola até ficar translúcida.
*Junte a couve cortada em pedaços, as batatas, os cogumelos, sal a gosto e o tomilho. Junte caldo de vegetais, o suficiente para apenas cobrir os vegetais e deixe ferver até tudo estar cozido, cerca de 15 minutos.
*Esta sopa deve ficar cremosa, começe por juntar pouco líquido e no fim, se depois de passada ficar muito consistente junte mais um pouco a gosto.
*Passe a sopa com uma varinha mágica.
*Sirva com tiras de pão torrado, salpicadas com azeite.

Ingredients:
1 kg cauliflower
150 g cremini mushrooms
2 medium potatoes, cut into small pieces
1 medium onion, chopped
1 lt of vegetable stock, maybe a bit more, homemade is best
Salt to taste
1/2 tbsp dry thyme

Preparation:
*Heat the oilve oil in a big heavy bottomed pan and fry the onion until translucid.
*Strir in the cauliflower cut into pices, the potatoes, the mushrooms, salt to taste and the thyme. Add the stock, just enough to barely cover the veggies and bring to a boil. Cook until tender, about 15 minutes.
*This is a creamy soup, so start by adding a small amount of stock and in the end, when you blitz it and if it´s to thick add a bit more liquid to taste.
*Remove from the heat and blitz until velvety.
*Serve with stripes of toasted bread, drizzled with olive oil.

 

 

Verde Minho e vermelho beterraba # Minho green and beetroot red

Nada se compara ao verde do Minho na Primavera.
Campos de erva alta a perder de vista. Ribeiros de água cristalina, ladeados por tufos de hortelã e aipo selvagem. Pastos macios onde as ovelhas vagueiam alegremente e um horizonte feito de montes ondulados que em dias de sol parecem querer tocar o imenso céu azul. E estas são apenas algumas das razões que me  fazem querer sempre lá voltar.

Chegamos a Caminha mesmo a tempo de tomar o primeiro café na esplanada da praça. As casas que a rodeiam com o seu pé direito baixo, fazem-me lembrar o Portugal dos pequenitos. Tudo é tão bonito e de outros tempos…

Passeamos pelas ruas pitorescas, onde por sorte estava a decorrer o mercado de antiguidades e velharias que só acontece no 3º Domingo de cada mês. Nós não fazíamos nem ideia, mas não podia ter calhado melhor. De repente e sem contar, eu estava no sítio certo à hora certa. Tachos de ferro, talheres antigos, pratos, copos, geringonças e todas aquelas coisas que me deixam de “olhos em bico”, incluindo uma tábua velha e gasta que é a minha mais recente aquisição.

E finalmente começou a nossa viagem pelos verdes campos do Minho, até Vilar de Mouros. Primeiro a planície suave como veludo verde. E depois a subida lenta por entre casas de muros altos, enfeitados com cascatas de rosas e glicínias. Jardins alegres, animados pelo cantar dos pássaros e pelo cacarejar das galinhas.

A certa altura, os campos verdes começaram aos poucos a rarear, para darem lugar à paisagem agreste da Serra D´arga. Extensões de monte cobertas por tojos, carqueja e urze. Vegetação rasteira.  Pinceladas rústicas de amarelo, verde e rosa que contrastam com o azul do céu e o branco acinzentado das nuvens. Apesar das abertas, a ameaça de chuva ainda pairava e o piquenique preparado para a jornada, acabou por acontecer debaixo de chuva fraca, já depois da visita ao Mosteiro de S. João D´arga. Tarte cremosa de cenoura e cogumelos com manjerona,  azeitonas, pão rústico ainda estaladiço, salada de rúcula, feijão frade, tomate e cebola, sopa de beterraba com limão e tomilho e crumble de morangos.

Antes do regresso à estrada, mais uma paragem para apanhar funcho, já a pensar num risoto de maruca e ameijoas. E um adeus e até breve, a uma das zonas do Norte onde as raízes das minhas memórias são mais profundas.

In english

Nothing compares to the greenness of Minho in Spring.
Neverending tall grass fields. Crystal water streams, bordered by mint and wild celery. Soft pastures where the sheep wander happily, and an horizonte made of wavy hills, that on sunny days seem to want to reach for the immense blue sky.

We arrived at Caminha just in time to have our morning coffee at the small plaza terrace. The houses that surrounds it have low ceilings, and remaind me of Portugal dos pequenitos. Everything is so pretty and from old times.

We strolled through the picturesque streets, where luckily was taking place the flea and antiques market, that only happens on the 3rh Sunday of each month. We didn´t know, but it could not be in a better time. Suddendly I was in the right place at the right time. Iron pots, old cutlery, plates, glasses, gadgets and all those things that make me really happy, including an old, worn out board that became my newest acquisition.

And finally, we began our journey through the green fields of Minho to Vilar de Mouros. First the lowlands, soft as green velvet. And then, the slow ascent through high walled houses, adorned with roses and wisteria cascades. Cheerful gardens, animated by the singing of birds and cackling of hens.

At one point the green, luscious fields began to scarce, to give place to the harsh lanscape of Serra D´arga. Hills extensions covered with gorse, broom and heather. Undergrowth vegetation. Rustic brushstrokes of yellow, pink and green, contrasting with the blue sky and white, greyish clouds. Despite the blue sptots in the sky, the threat of rain lingered, and the planned picnic took place under weak drops of rain, after the visit to the Monestery of S. João D´arga. Creamy carrot, mushrooms and marjoram tart, olives, rustic, crispy bread, arugula, blackeyed peas, tomato and onion salad, beetroot, lemon and thyme soup and strawberry crumble.

Before returning to the main road, a stop to pick some gorgeous wild fennel, to make a ling and clam risotto.
And a goodbye and see you soon, to one of the areas in the north, where the roots of my memories are deeper.



Sopa de beterraba, limão e tomilho

 

A minha história com a beterraba não é um caso de amor à primeira vista. E se não fossem os nutrientes que fazem dela uma pérola no mundo dos tubérculos, provavelmente eu nunca me tinha dado ao trabalho de a cozinhar e de não desistir dela. Comecei com estes queques e depois passei às sopas. Hoje e depois de variar ervas, temperos e ingredientes, posso dizer que esta é a ideal para mim. Aveludada e deliciosa.

Ingredientes:
800 g de beterraba (3 beterrabas médias) sem as folhas
120 g de batatas descascadas
500 ml de caldo de vegetais
2 dentes de alho
1 raminho de tomilho
Raspa de 1/2 limão
Sal a gosto
2 colheres de sopa de azeite
Tomilho para decorar

Preparação:
*Pré-aqueça o forno a 200º, marca 6 do fogão a gás.
*Lave as beterrabas e dê-lhes um golpe, junte-lhes uma haste de tomilho e embrulhe-as em papel de alumínio.
*leve ao forno num tabuleiro por 40 minutos,ou até que fiquem tenras.
*Coza as batatas cortadas em pedaços pequenos e os alhos no caldo de vegetais, junte o que sobrou do ramo de tomilho (com a panela semi tapada e em lume brando).
*Tire as beterrabas do forno e deixe arrefecer um pouco antes de as desembrulhar. Desembrulhe e tire-lhes a pele que sai facilmente.
*Junte as beterrabas cortadas em pedaços à panela com os restantes ingredientes, junte a raspa de limão e sal e triture tudo com a varinha mágica. A sopa deve ficar bem cremosa mas se achar que precisa de mais um pouco de líquido, junte água a gosto.
*Sirva com folhas de tomilho e um fio de azeite.

 
Beetroot, lemon and thyme soup



My history with beets was not a case of love at first sight, and if it wasn´t for the nutients that makes it a pearl in the world of tubercles, I probably would never bothered to cook it, and persist on trying new ways of eating it. I started with these cupcakes and then passed to the soups. Now and after varying with herbs, seasonings and ingredients, I can finally say that this one is the right one for me. Velvety and delicious.


Ingredients:
800 g beetroot (3 medium beetroots) with no leaves
120 g peeled potatoes
500 ml vegetable stock
2 garlic cloves
1 small bunch of thyme
Zest of 1/2 lemon
Salt to taste
2 tbs olive oil
Thyme to serve

Preparation:
*Preheat the oven to 200º, gas mark 6.
*Wash the beetroots, cut them halfway through, add one thyme sprig to each one and fold them with foil.
*Bake for 40 minutes or until tender.
*Boil the potatoes in the stock with the remaining ingredients, including the thyme, in slow heat (cover the pan with a lid).
*Remove the beetroots from the oven and let them cool a bit before unfolding them. Then peel them.
*Cut the beetroots in small pieces and put them inside a blender with the remaining ingredients. Add the lemon zest and salt. Blitz until smooth. Add a little bit of water if you think it´s necessary.
*Serve with a drizzle of olive oil and a few thyme leaves.