Sotavento Algarvio – Paladares ao Sul III

Com o workshop chegado ao fim, continuamos a pé, atravessando a ponte conhecida por Ponte Romana ou Ponte Antiga, se bem que há quem defenda que a origem romana da mesma, não tenha fundamento arqueológico. Uma coisa é certa, desta ponte que hoje em dia só se atravessa a pé, tem-se uma vista  fantástica sobre Tavira. Tenho pena de não ter estado lá à noite com aquela zona toda iluminada.
Por baixo dela passa o Rio Gilão que desagua na Ria Formosa.
Começamos por visitar a Garrafeira Vital, uma  bonita loja de paredes de pedra, onde nos perdemos no meio de compotas, vinhos, azeites, conservas, licores, chocolates… Um pequeno paraíso de produtos gourmet de origem portuguesa.
Próxima paragem, mercearia Ex-libris Gourmet, mais uma vez uma loja muito bonita, com muitas coisas boas para descobrir e comprar.
Aqui podem ver a página do Facebook desta mercearia.

Depois destas visitas Gourmet, atravessamos de novo a Ponte Antiga e misturamo-nos com as pessoas que passeavam na Feira da Serra da Primavera. Aqui encontrámos todo o tipo de produtos tradicionais da zona de Tavira, da Serra do Caldeirão e também de outras zonas do país.
Enchidos, doces, mel, ervas secas e frescas, aromáticas e medicinais, especiarias, sabonetes artesanais, essências naturais de plantas, artesanato, tudo se misturava, num festival de cor e os diferentes aromas, sentiam-se a cada passo que dávamos…
Os doces eram muitos e bem típicos da zona, feitos com os ingredientes que o Sul oferece generosamente e em abundância, o mel, a amêndoa e a alfarroba.
Tive pena de não ter podido explorar as barraquinhas de doces com mais tempo mas quem sabe, se não volto lá na próxima Primavera!… Ou até antes!
Na feira comprei um tipo de hortelã à qual dão o nome de marroquina e também vagens de baunilha e sumagre.

Feitas as compras regressamos ao hotel de táxi, numa viagem que ficou no registo das peripécias
que vivemos por terras do Sul.
Imaginem quatro “piquenas” num táxi, com um taxista que pensa que sabe o caminho para o hotel mas que afinal vai-se a ver e não sabe e um outro taxi atrás, com as restantes “piquenas”, cujo taxista supostamente deu indicações erradas ao colega. Fomos dar a uma herdade que não conhecíamos, andámos ás voltas, o taxista já não sabia se ía para a frente ou se ía para trás, de tão desorientado que estava e nós, mocinhas bem comportadas, a azucrinar-lhe o juízo, para ajudar à missa, mas depois começamos a entrar na brincadeira, para acalmar o homem e finalmente lá nos conseguiu levar até ao hotel certo.
Já no hotel, tomámos um banho rápido e toca de pôr o pé na estrada novamente, desta vez rumo ao restaurante Panorâmico Praia Verde.
Fomos recebidas com muita simpatia, aliás como em todos os Restaurantes que tivemos oportunidade de frequentar e comemos maravilhosamente bem.
De entradas tivemos atum, ovas e polvo, preparados de diferentes maneiras, pão –  aquele pão algarvio que è uma delícia e que comemos em todos os restaurantes onde fomos –  e tivemos também presunto.

Depois veio o saboroso arroz de lingueirão e uma caldeirada de peixe também muito saborosa e colorida, bem “recheada” de tomate, pimento, cebola e louro.
Para finalizar em grande veio para a mesa uma sobremesa original e festiva, o nome era Pijama e basicamente era uma variedade de pequenas fatias de bolos e doces tradicionais da zona, com natas batidas e gelado de baunilha, tudo de bom!
A seguir, passagem pelo Lollipop onde nos foi oferecida uma bebida e onde estivemos à conversa durante algum tempo, não muito já que o dia tinha sido longo e estávamos de rastos… de rastos mas felizes!

Domingo ( ùltimo dia) de manhã:
Domingo foi o nosso último dia passado em terras do Sul, ou melhor, meio dia, já que o nosso comboio de regresso a casa estava marcado para as quatorze e cinquenta e cinco.
A última actividade do programa foi uma visita aos Viveiros Monterosa em Moncarapacho,Olhão, para conhecer o olival que produz o Azeite Monterosa, um azeite extra-virgem de excelente qualidade.
O nosso cicerone foi o Sr. Detlev Von Rosen, produtor do azeite que mais tarde iríamos ter oportunidade de provar.
Começamos por passear por entre as oliveiras, enquanto o Sr. Von Rosen nos explicava o seu trajecto e aprendizagem pessoal  relacionados com a produção de azeite. As viagens que fez à Grécia, Itália e Espanha para aprender com quem sabia, sobre as oliveiras, as azeitonas, os tipos de solo mais adequados, enfim, todos os detalhes de uma actividade que lhe agradava e que precisava de aprender com rigor.
Pelo caminho, parámos junto de oliveiras milenares e foi-nos explicado como se destinguem essas oliveiras das mais recentes.
O tronco da oliveira dividido em dois, este é o indicativo de que se trata de uma oliveira milenar e quando o s dois troncos estão separados praticamente até ao chão, a oliveira terá mais de 2000 anos. O Sr. Von Rosen até brincou com isso, dizendo que há sombra daquela oliveira poderia ter estado um dia um romano sentado, a descansar! Mal ele sabia que eu sou uma apaixonada pela civilização romana…

O passeio continuou e a informação dada foi muita e detalhada, sobre todos os aspectos que envolvem esta actividade. Se estiverem interessados em saber mais sobre a produção deste azeite podem ver no link referido mais acima.
A seguir ao passeio, fomos até ao armazém onde o azeite è produzido e aí tivemos a prova de azeites.
Na entrada do armazém estava uma prensa de pedra antiga e foi-nos explicado como funcionava.
Já dentro do armazém, provámos apenas dois dos três azeites comercializados pelo Sr. Von Rosen, porque um deles já não estava disponível.
Foi posta uma pequena quantidade de azeite em copinhos de plástico, depois tivemos que tapar o copo com a mão para que os aromas não se libertassem  e a seguir levámos o azeite à boca “untando o interior da mesma com o azeite e bebendo-o de seguida ( não è tão difícil como pode parecer à primeira vista!) mas também eu adoro azeite, por isso não sei se me devem levar em conta!.
A verdade è que provar o azeite assim è uma experência intensa, sentem-se sabores como se os estivessemos a cheirar, è muito engraçado. Lembro-me que o primeiro azeite que provei, senti-o na boca como o cheiro da erva acabada de cortar, è quase surreal! E eu adorei a experiência!
Muito mais havia a dizer de tudo o que nos foi transmitido pelo Sr. von Rosen mas esta postagem já vai longa e acho que vão gostar de conhecer o site do Azeite Monterosa, está muito bonito e detalhado. Vale a pena visitar.
Estar naquela propriedade foi uma coisa fantástica, senti-me como se estivesse numa propriedade romana antiga. Aliás foi-nos dito que ali ainda existem vestígios romanos da produção de azeite e alguns deles estão no armazém onde ele se produz hoje em dia!


Acabada a visita, fomos almoçar ao restaurante Fonte da pedra em S. Brás de Alportel, onde fomos recebidas pela Vereadora Marlene de Sousa Guerreiro e pela Claudia, com muita simpatia.
Um almoço descontraído na esplanada do restaurante já que estava bastante calor, mais uma vez com boa comida e como sempre em excelente companhia.
Entre as gambas, o bacalhau com maionese, o borrego com queijo gratinado e a tarte de maça com gelado de baunilha – que foi a minha escolha para sobremesa – , lá foi passando o tempo e quando demos por ela, já estava na hora de ir a correr para a estação apanhar o comboio de regresso a casa, comboio que por pouco íamos perdendo mas essa foi mais uma história para mais tarde recordar.

Agora que já estou de volta a casa e que já se passaram quatro dias desde o fim desta aventura por terras do Sotavento Algarvio, percebi que me reconciliei com parte do Algarve, uma parte que eu não visitava desde a infância e da qual não tinha muita memória…Aliás, foi mais do que uma reconciliação, foi, isso sim, puro deslumbramento!
O Algarve massificado, do betão e das praias super povoadas  não é para mim e por isso nos últimos anos deixei de o visitar mas o que conheci durante os dias que passei no Sotavento, não tem nada a ver com esse Algarve descaracterizado.
Este Algarve que eu tive o previlégio de voltar a conhecer, é lindo, é rico e é genuíno.
Não tem só o mar de águas amenas, nem as praias lindas de areia fina, tem isso sim senhor mas tem ainda muito mais. Tem história milenar – por ali andaram, fenícios, romanos e gregos – , tem sabedoria popular e tradições cujas origens se perderam no desfiar do tempo mas que sobreviveram até aos dias de hoje, graças ao empenho e vontade de pessoas como estas que estão mencionadas nestes textos e com quem eu tive a honra de conviver por breves momentos.
Tem uma riqueza gastronómica que vai muito, mas muito além do já ( infelizmente ) famoso Chicken piri-piri, e outros “pratos” que se vêem por todo o lado em certas cidades algarvias e que nada têm a ver com a verdadeira cozinha do Sul, tão rica, saborosa e cheia de personalidade.

Bom e agora os afectos, ou a lamechice, como preferirem…
A verdade é que durante esta estadia no Algarve eu senti-me além de privilegiada também muito mimada e por isso não posso deixar de agradecer à Margarida que me proporcionou tudo o que vivi e à Ana. Vocês foram fantásticas!
E agora a Irmandade que tomou o Sotavento Algarvio de assalto! Pensavam que eu me ía esquecer de vocês? Isso é que era bom!
Esta aventura não tinha sido a mesma coisa sem as minhas companheiras de viagem. Juntas partilhámos aprendizagens, sabores, cheiros e também muitas gargalhadas e peripécias que eu não vou esquecer.
Para a Tangerina, a Canela, a Laranjinha, a Pipoka, a Ameixinha e a Gasparzinha um beijo do tamanho do mundo.

E agora para todos os meus visitantes que ainda não descobriram este Algarve, se tiverem oportunidade, visitem o Sotavento Algarvio, com a garantia de voltarem de lá deslumbrados com tudo o ele tem para oferecer. Sol, mar, serra, ria, gente acolhedora, gastronomia de sabores únicos e paisagens lindas com aromas que ficam para sempre gravados na memória e no coração…

Fim

Bom fim de semana para todos e boas patuscadas!

14 thoughts on “Sotavento Algarvio – Paladares ao Sul III

  1. Tive que te aturar mais 3 horas do que as outras, o beijo tem que ser do tamanho do sol, ok? he he
    Olha a sensação que eu tenho é que vocês estão a terminar de contar as vossas vivências e eu ainda não comecei a contar as minhas… sinto-me ostracizada 😉
    Mas amanhã vou tratar disso. As tuas fotografias estão fantásticas!

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  2. Ameixa,
    deixa lá, aturámo-nos uma á outra!:)))
    Já li os teus primeiros versos e estou à espero do resto, para me rir mais um bocado.
    Obrigada!

    Beijinhos:)

    Especialmente gaspas,

    Obrigada! Os pratos eram muito bonitos, de se comer com os olhos!

    Beijinhos:)

    Tangerina,
    Querida Carlota também eu adorei conhecer-te!
    Obrigada!

    Um abraço gigante para ti também com muitas saudades à mistura…:)

    Gasparzinha,
    Foi muito bom conhecer-te e conviver contigo.
    Obrigada!
    Um grande beijinho recheado de saudades:)

    Élia,
    Obrigada pelas palavras de apreço que tanto significam para mim.
    Beijinhos e bom fim de semana:)

    Laranjinha,
    Conhecer-te foi uma feliz descoberta e também eu adorei partilhar todas estas vivências contigo.!
    Obrigada!
    Beijinhos grandes:)

    Helena,
    Vim do sul com a convicção de que temos várias coisas em comum. Talvez um dia possámos falar um pouco mais sobre tanta coisa que ainda há para falar e conhecer.
    Beijinhos Grandes:)

    Um bom fim de semana para todas!

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  3. E que saudade deste Algarve que nos sabe oferecer o melhor da sua região. A última vez que estive no Algarve, fiquei(por força das circunstâncias) em Albufeira e parecia era fast-food por todo o lado, mesmo as comidas que eu conhecia, como sendo características da região, eram estragadas para ficarem ao gosto dos estrangeiros.
    Do Algarve, praia, a minha zona favorita é mesmo a de Tavira, Manta Rota, Praia Verde… Ainda bem que se divertiram e gostaram.

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  4. Cara ho letto tutto ed anche immaginato, dal primo passo fino al fim. Certo deve essere stata una passeggiata meravigliosa piena di cose belle e nuove. L'olio, per me che lo produco,è stata la cosa che mi ha fatto tornare a casa, altrimenti sarei ancora lì con voi. Un grande abbraccio deny

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  5. Cara Mónica,
    De regresso e a pôr as leituras em dia, adorei cada palavra, cada foto que me fizeram imaginar que estive lá convosco a percorrer todos os caminhos. Uma reportagem muito boa que faz com que cada um de nós queira rumar ao sul para experimentar todas as delícias e vivênciar todos esses bons momentos.
    Beijinho
    Manuela

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