O paraíso numa colher – clafoutis de chocolate e banana

Quando se gosta de comida, ela é uma constante na nossa vida e nos momentos mais inesperados ela surge por vezes do nada para nos dar conforto e alegrar o espírito.

Falei-vos aqui da nossa viagem até Fátima e como vos disse, a certa altura ( a partir do 2º dia de caminho ) o apetite não era muito mas a verdade é que a seguir à fé e à vontade enorme de fazer o caminho de uma só vez, aquilo que mais força me deu para continuar, foi a certeza de ao anoitecer eu me sentar a uma mesa de um restaurante qualquer, a comer uma refeição tranquilamente. No fundo acabava por não comer quase nada, mas durante as horas e horas que caminhávamos durante o dia, essa ideia confortava-me, eu só tinha que continuar a caminhar, que no fim do dia a recompensa vinha em forma de uma sande de leitão ( na Mealhada), de uma sopa de pedra ( a caminho de Pombal), ou de uma espetada de carne ( já na Caranguejeira). Era a chegada ao paraíso depois de um dia inteiro de quase purgatório.
Já em casa e com o apetite a crescer a olhos vistos, os meus “desejos” por comida não ficaram pelos salgados. E quando eu penso em doces, é fatal como o destino, mais cedo ou mais tarde acabo no chocolate. Mas desta vez, por alguma razão o chocolate não chegava, tinha que ser um doce com chocolate sim senhor mas também com banana. Não sei, talvez fossem os meus níveis de potássio a precisarem de ser repostos, isto para não admitir que foi gula pura e crua!

As sobremesas de chocolate que eu mais gosto, são aquelas cremosas, húmidas, que quase se desfazem na boca, por isso era inevitável pensar num clafoutis. Assim peguei numa receita clássica de clafoutis ( de cerejas) e adaptei-a de forma a criar um clafoutis, tal como eu o tinha imaginado, cremoso, fofo e com sabor acentuado a chocolate e banana.

Levei as formas ao forno sem saber muito bem se ía gostar do resultado. Quando as tirei do forno o aspecto era óptimo, deixei arrefecer, polvilhei com bastante açúcar em pó e mergulhei a colher no clafoutis ainda morno. O cheirinho doce a chocolate e banana era irresístivel e sem esperar mais, provei…

… e foi assim, colher a colher, que dias depois de ter chegado a casa, entrei novamente no paraíso pela mão de um clafoutis de chocolate e banana. Morno, doce e simplesmente divino!





Ingredientes:
3 bananas médias
60 gr. de manteiga sem sal
2,5 dl. de leite
100 gr. de chocolate preto de boa qualidade (70% de cacau no mínimo)
3 gemas
1 ovo
2 dl. de natas
120 gr. de farinha
110 gr. de açúcar
Açúcar em pó para polvilhar

Preparação:
Leve a manteiga e o chocolate a derreter em banho maria.
Peneire a farinha para uma taça e junte-lhe o açúcar, 3 gemas e o ovo.
Misture bem e junte o leite aos poucos batendo entre cada adição.
Junte as natas e ligue tudo muito bem.
Por fim junte a manteiga e o chocolate derretidos e bata até ficar tudo ligado.
Barre uma ou duas formas de cerâmica muito bem com manteiga.
Pré-aqueça o forno a 180º, marca 4 do fogão a gás.
Corte as bananas ás rodelas e cubra o fundo das formas com as mesmas, tendo o cuidado de guardar algumas rodelas para por por cima do clafoutis.
Verta a mistura de chocolate por cima das rodelas de banana e depois disponha as rodelas que reservou por cima do clafoutis.
Leve ao forno até ficar firme ao toque, cerca de 25 a 30 minutos.
Sirva polvilhado com açúcar em pó.

14 thoughts on “O paraíso numa colher – clafoutis de chocolate e banana

  1. Eu não sou muito chocolateiro, gosto de uns negros amaríssimos, pretensiosos, mais nada.

    Mas não pude deixar de sorrir à belíssima descrição das variações de humor gastronómico que acontecem a quem caminha. Eu sou há muitos anos caminheiro de Santiago (não gosto de estrada), e sei bem aquilo que descreveu no seu post. Acho até que, no regresso, até comia com gosto essse clafoutis!!! 🙂

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  2. Dizem os entendidos que, em situações como esta, as chamadas peregrinações, os caminhantes não devem andar mais que um máximo de 40 Km por dia.
    Mas quem vai por devoção e com fé, quer chegar quanto mais depressa melhor e vai andando até não poder mais.
    Tenho muito apreço por quem consegue fazer centenas ou milhares de km a pé e ao chegar ao fim, nem se queixa das pernas nem do estado em que ficou com os pés. Costuma dizer-se que a fé remove montanhas.
    E, enquanto estamos longe do aconchego do lar, temos tempo para pensar em pequenos pormenores, em cheiros, em mimos que teríamos se estivessemos naquele momento na nossa casa. Damos então mais valor a determinadas coisas que, por mais pequenas que sejam, nos reconfortam e nos fazem sentir bem.
    Li o post anterior. A pescada pareceu-me ser mesmo uma óptima receita.
    Quanto ao Clafoutis de chocolate e banana: palavras para quê? o melhor mesmo é fazer e saborear.
    boa semana

    bjs

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  3. Olá! Pergunto à autora do blog se é este tipo de comentários que gosta de receber: que lindo; deve ser muito bom;amei;que tentação etc etc? ou se gostaria mais de saber como sairam as experiências dos leitores baseadas na sua receita; as dificuldades que tiveram ao executá-las etc etc. Eu por mim falo! Há comentários que considero nulos e dispensáveis para os autores dos blogs culinários;. Desculpe se transparece alguma agressividade. Falo com sinceridade. Parabéns pelos bons momentos de prazer que me tem proporcinado cada vez que ponho em prática as receitas que com generosidade compartilha connosco. Obrigado

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