Caracóis!

Demorei anos até conseguir, comer bolos ou pastéis com frutas secas ou cristalizadas.

Eu era do tipo de criança que apartava todo e qualquer ingrediente sólido ou colorido, da massa do bolo-rei, bolo inglês ou caracóis, o que deixava a minha mãe, com os nervos em franja! Adorava as massas, doces e macias, mas com frutos…, não obrigada!
Olhando para trás, vejo que o processo de aceitação, foi gradual. Primeiro comecei a tolerar a presença das passas, depois dos frutos secos e por aí fora, até que hoje, já consigo comer uma fatia de bolo-rei, do principio ao fim, sem ter antes, de a esburacar literalmente, em busca dos tais “sólidos e coloridos” que tanto me chateavam.
Atingido esse objectivo, já valia a pena fazer caracóis em casa.
A primeira vez que os fiz, foi já há alguns anos e na altura fiquei toda entusiasmada, pois ia ter os meus dois rebentos, como testemunhas em primeira mão, das habilidades culinárias da mãe.
Preparei os caracóis cheia de boa disposição e levei-os ao forno a cozer. Quando saíram do forno, os caracóis estavam lindos e fofos, com as frutas coloridas a darem o ar de sua graça. Pincelei-os com geleia e ainda mais bonitos ficaram, a minha vaidade parecia massa a levedar, crescia e crescia à medida que ia dando os retoques finais nos meus lindos caracóis.
Era agora chegado o momento pelo qual eu esperara cheia de entusiasmo, o teste final, a grande prova… ( ou talvez não!).
Chamei os meus rapazitos e dei um caracol a cada um, para que provassem e dissessem de sua justiça.Os meus filhos deram a primeira dentada e eis senão quando, no meio de um silêncio carregado de ansiedade, o meu filho mais novo, com a inocência própria da idade, diz: ” Mãe…, eu não gosto destas coisas duras e às cores”.
Estas simples e inocentes palavras, caíram em mim, que nem uma rajada de vento norte, em cima de um soufflé acabado de sair do forno. O meu orgulho e vaidade, murcharam até ao chão e tal como eu, ficaram reduzidos à mais completa e triste insignificância. Disfarcei.., recompus-me… e quando “acordei” do safanão, a frase que me veio à cabeça foi…, “Não há nada que não se pague”.
É caso para dizer, ” Quem sai aos seus…”.

Ingredientes:
375 gr. de farinha
50 gr. de manteiga
1 saqueta de fermento de padeiro desidratado ou 6 gr. de fermento de padeiro fresco.
2 gemas
Sal ( 1 pitada )
2,5 dl. de leite
Açúcar
Frutas cristalizadas e picadas
Sultanas ou passas
Nozes picadas

Preparação:
Peneire a farinha para uma tigela. Faça uma cova e ponha no meio as gemas, o sal, a manteiga derretida e arrefecida e o fermento de padeiro dissolvido num pouco de água morna. Misture estes ingredientes e comece a trabalhar a massa. Vá juntando aos poucos o leite morno, misturado com açúcar a gosto, ( dissolva bem o açúcar no leite, antes de o juntar à massa). Vá juntando o leite, até a massa atingir uma consistência maleável e até fazer bolhas. Provavelmente não vai precisar de juntar o leite todo, eu pelo menos não juntei. Trabalhe a massa puxando-a para a frente e depois de novo para trás, para lhe dar elasticidade. Faça isto durante 5 minutos. Ponha a massa numa taça enfarinhada, cubra com película aderente, tape com um pano quente e ponha em local aquecido e sem correntes de ar, para levedar até dobrar de volume.

Misture as frutas, as sultanas e as nozes com um pouco de açúcar.

Depois da massa ter levedado, sove a massa, para que o ar saia o que é muito bom para aliviar o stress.

Numa superfície enfarinhada, estenda a massa em rectângulo, pincele toda a superfície de massa com manteiga derretida e arrefecida e por cima ponha as frutas cristalizadas e as frutas secas, bem espalhadas. Enrole a massa com cuidado e una bem, o fecho da massa com a ajuda de um pouco de manteiga derretida. Corte este rolo em fatias grossas e coloque-as num tabuleiro untado com manteiga. Cubra com um pano quente e deixe levedar mais 30 m.

Pré-aqueça o forno a 190º, marca 5 no fogão a gás.
Passados os 30 m., leve os caracóis a cozer ao forno por 30 a 35 m. Quando estiverem prontos e dourados, tire-os do forno e ainda quentes pincele-os com mel ou geleia de alperce ou de maça. Deixe arrefecer e sirva.
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