A origem de todas as receitas…

 

Quando comecei este blogue, há já quase dois anos atrás, o entusiasmo de começar a partilhar as histórias e receitas que eu tinha acumulado ao longo dos anos, foi tanto, que na altura, nem sequer me lembrei de fazer uma pequena introdução de tudo aquilo que estava para vir.

É claro que quem tem seguido as minhas andanças por aqui, já conhece um pouco de mim, pelo menos assim eu espero…Em todo o caso, acho que ainda vou a tempo de vos falar mais um pouco sobre a cozinheira e a cozinha do “Pratos e Travessas”.

Eu!…

Sou casada com o João e mãe do Daniel e do João Pedro.
Vivo em Gaia perto da praia e gosto muito do mar, mas o meu elemento é a terra em especial as Serras do Gerês que adoro.
Muito ligado à terra e à nossa cultura e raízes é o grande respeito e verdadeiro orgulho que tenho pela cozinha tradicional portuguesa. É uma das minhas paixões. E claro, tenho uma grande admiração pela Maria de Lourdes Modesto e pela Maria Odette Cortes Valente.
Lembro-me que a par dos sabores que saíam das cozinhas onde cresci, também as cores, as texturas e a criatividade da pintura e do desenho, eram (e são) muito importantes para mim.
Durante alguns anos continuei a manter a prática  e tenho nas paredes da minha casa, algumas das telas que criei nessa altura,  mas depois nasceram os filhos e tornou-se impraticável dispor de horas e horas de concentração e com muita pena minha deixei quase por completo de praticar. Ainda assim, os desenhos ainda vão aparecendo de vez em quando, sempre que alguma coisa me desperta o interesse ao ponto de me fazer pegar num lápis e numa folha de papel e ver se ainda não perdi o jeito!
Hoje sei que é através da cozinha que eu vivo mais intensamente,  a criatividade, as cores e as texturas…

A comida!…

Não sei explicar mas a comida desde sempre me atraiu, não só enquanto alimento mas mais ainda enquanto objecto de contemplação.
Eu cresci perto de três grandes cozinheiras, a minha avó Tina, a minha tia Natércia e claro a minha mãe Fátima e todas elas tinham formas diferentes de viver a comida.
A minha avó era a mais tradicional, a minha tia era a mais consistente, muito virada para o gosto dos filhos, já que sendo dona de casa, cozinhava “de manhã, à tarde e à noite” e a minha mãe sendo a mais nova dos cinco irmãos, era a mais moderna e “requintada” mas com um fundo tradicional.
Quanto a mim, tal como um estufado que se deixa em lume lento a apurar, fui absorvendo os sabores dessas três cozinhas, diferentes mas ligadas entre si pelos laços de sangue e de afetos.
Ainda hoje procuro o sabor da carne à jardineira ou do bacalhau assado com pimentos da minha avó mas mesmo fazendo a receita exactamente como ela fazia, não me sabe tão bem, falta-lhe o mais importante, o toque das suas mãos…

O agora!…

A verdade é que adoro este espaço que fui criando aos poucos, aprendendo a cada passo, com um ou outro tropeção pelo meio e no fundo, hoje encaro o Pratos e Travessas como uma forma de devolver à vida toda a informação que me foi dada por pessoas e livros durante todos estes anos, eu acredito  que é uma questão de tempo até termos que devolver aquilo que nos foi somente emprestado.
Para além disso, aqui, eu posso dar asas à minha criatividade, quer seja com os textos, as fotografias ou claro com as receitas.
E porque a criatividade é um dos meus ofícios, este espaço vai estar sempre em evolução, até porque parar é morrer…
A verdade é que o Pratos e Travessas tem sido uma grande fonte de alegria, de diversão e também de muito trabalho para mim e de reconhecimento por parte daqueles que o apreciam e isso claro é o melhor combustível para continuar em frente e crescer, até porque, como já alguém disse “O céu é o limite” …

Mónica Pinto
25-01-2010

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