Challah

A minha história com o challah começou há quase seis anos, altura em que estive em Nova York para fotografar o livro da Rochie Pinson. Viver sozinha em Brooklyn por algum um tempo foi uma torrente de novas descobertas mas sobrepondo-se a tudo isso uma fresta abriu-se para um mundo que, começara muito antes, aos poucos, a reclamar a minha atenção. Do outro lado da fresta estavam o delicioso sabor e o significado espiritual do challah no judaísmo.

No entanto, durante anos não fiz um único challah. Lembrei-me muitas vezes, sentia saudades do cheiro doce, do sabor e maciez mas nunca fui além disso. Até Novembro passado, altura em que regressei a Nova York para fotografar o novo livro da Rochie. Durante duas semanas vivi na sua casa onde tudo estava preparado para a criação das novas imagens. E durante esse tempo a fresta que se abriu quase seis anos atrás tornou-se uma porta aberta de par em par e fui conhecendo mais sobre a riqueza espiritual do judaísmo e os rituais vividos numa casa judaica. Esses foram dias de challah, com várias formas e vários sabores, de aprender a significância e ligação à mulher enquanto nutridora de corpos e almas e de presenciar a benção da massa. Vivi o meu primeiro shabbat, celebrado todas as Sextas feiras a partir do pôr do sol até ao pôr do sol do Sábado seguinte. E em todos os shabbats o vinho e o pão estão sempre presentes.

Nessa noite de Sexta feira e como manda atradição, depois do kidush, a benção sobre o vinho que santifica o shabbat, comemos challah com vários dips para molhar o pão e partilhámos um jantar especial que dá início à celebração do dia santo judaico que é também o dia de descanso. Observar ou guardar o Sábado é durante um dia, parar e apenas ser, sem interferir no mundo que é a criação de deus.

De volta a casa, o que aprendi durante aquelas semanas continuou em mim. Toda aquela beleza permeou-me.

Pouco tempo depois fiz o meu primeiro challah e não houve volta atrás.

O pão é absolutamente delicioso e macio e depois de umas quantas tentativas consegui o meu primeiro entrançado bonito, talvez o maior desafio a ultrapassar e agora já é algo que faço quase de cor, o que me dá uma satisfação enorme.

A receita que se segue é adaptada de uma das receitas da Rochie do seu livro Rising: The Book of Challah

In English

My story with challah began almost six years ago, when I went to New York to photograph Rochie Pinsons book. Living alone in Brooklyn for a while was a torrent of new discoveries, but on top of all that, a crack opened up to a world that, much earlier, had begun, little by little, to claim my attention. On the other side of the crack was the delicious flavor and spiritual significance of challah in Judaism.

However, for years I have not made a single challah. I remembered it many times, I missed the sweet smell, its taste and softness but I never went beyond that. Until last November, when I returned to New York to photograph Rochie’s new book. For two weeks I lived at Rochie’s home where everything was prepared for the creation of the new images. And during that time the crack that opened almost six years ago became an open door and I got to know more about the spiritual richness of Judaism and the rituals lived in an Jewish home. Those were days of challah, with different shapes and flavors, days to learn its significance and connection to woman as a nourisher of bodies and souls and to witness the blessing of the dough. I witnessed my first shabbat, celebrated every Friday from sunset until sunset the following Saturday.

That Friday night and as tradition dictates, after kiddush, the blessing on the wine that sanctifies the shabbat, we ate challah with various dips to dip the bread in and shared a special dinner that kicks off the celebration of the Jewish holy day which is also the day of rest. Observing or keeping the Sabbath is to stop and just be for a day, without interfering with the world that is God’s creation.

Back home, what I learned during those weeks stayed with me. All that beauty permeated me.

Shortly after I made my first challah and there was no turning back.

The bread is absolutely delicious and soft and after a few tries I got my first beautiful braid, perhaps the biggest challenge to overcome and now it’s something I do almost by heart, which gives me enormous satisfaction.

The following recipe is adapted from one of Rochie’s recipes from her book Rising: The Book of Challah

Ingredientes: faz 2 challahs de 6 tiras

750g de farinha com alta percentagem de proteína

2 colheres de sopa de fermento de padeiro desidratado

250g de água morna

2 ovos grandes

70g de açúcar

12g de sal fino (uso sal dos himalaias)

160g de óleo de girassol

1 ovo batido para pincelar

Preparação:

Misturar a água morna com o açúcar e o fermento, mexer bem, tapar e deixar por 10 minutos até ficar espumoso.

Numa taça grande juntar a mistura de fermento à farinha, o sal e o ovo e mexer, juntar o óleo e mexer novamente. Deixar assim por 20 minutos em autolyse, para que a farinha absorva bem os líquidos.

Amassar no balcão sem farinha, por aprox. 15 minutos até ficar macia e molde numa bola. Se tiver máquina para amassar pão tanto melhor.

Untar uma taça com óleo, colocar a massa dentro e untá-la também com um pouco de óleo, tapar com película e um pano e deixar levedar por aprox. 2 horas ou até dobrar de volume.

Amasse no balcão por 1 minuto para tirar o ar.

Corte a massa em 12 pedaços com o mesmo peso. Molde cada pedaço em bola e deixe descansar por 10 minutos. Com o rolo da massa ou usando as mãos espalme cada bola em circulo e depois enrole cada círculo formando canudos pequenos. Vá colocando à parte, um a um.

Começando pelo primeiro canudo que fez e teve mais tempo de descanso, estique-o com as mãos até que fique com uma tira de aprox. 30 cm. As pontas devem ficar mais finas do que o centro de cada tira, para dar “corpo” ao challah. Faça o mesmo a cada canudo até ficar com 12 tiras.

Junte 6 tiras para cada challah e entrelace. Entretanto irei publicar um vídeo sobre como entrançar o challah no instagram. Coloque sobre papel vegetal, tape com película levemente polvilhada com farinha e deixe levedar até dobrar de volume.

Pré aqueça o forno a 175º, entre o 3 e o 4 do fogão a gás, 330F.

Pincele cada challah muito bem com o ovo batido e leve ao forno por 25 minutos. Tenha em conta que crescem bastante ao cozer.

Tire do forno e deixe arrefecer em cima de uma rede para bolos.

Pode ser coberto com película, colocado dentro de um saco de congelamento com fecho e guardado na arca para mais tarde. Dura até 2 meses no frio.

Ingredients: makes 2 challahs of 6 strips

750g flour with a high percentage of protein

2 tablespoons dried baker’s yeast

250g of warm water

2 large eggs

70g of sugar

12g fine salt (I use Himalayan salt)

160g of sunflower oil

1 beaten egg for brushing

Preparation:

Mix the warm water with the sugar and the yeast, stir well, cover and leave for 10 minutes until frothy.

In a large bowl, add the yeast mixture to the flour, the salt and the egg and stir, add the oil and stir again. Leave it like this for 20 minutes in autolyse, so that the flour absorbs the liquids well.

Knead on the counter without flour, for approx. 15 minutes until soft and elastic and form into a ball. You can do this in a mixer. Grease a bowl with oil, place the dough inside and grease it with a little oil, cover with cling film and a cloth and leave to rise for approx. 2 hours or until doubled in volume.

Knead on the counter for 1 minute to get the air out.

Cut the dough into 12 pieces with the same weight. Shape the pieces into balls and let them rest for 10 minutes. With the rolling pin or using your hands, flatten each ball of dough into a circle and then roll each circle into small straws. Put them aside, one by one.

Starting with the first straw you made and had the most time to rest, roll it and stretch it out with your hands until you have a strip of approx. 30 cm. The ends should be thinner than the center of each strip, to give “body” to the challah. Do the same for each straw until you have 12 strips.

Gather 6 strips for each challah and braid. In the meantime I will publish a video about braiding on Instagram. Place on parchment paper, cover with clingfilm lightly dusted with flour and let rise until doubled in volume.

Preheat the oven to 175º, between 3 and 4 on the gas stove, 330F.

Brush each challah very well with the beaten egg and bake for 25 minutes. Bare in mind that they grow quite a bit while baking.

Take it out of the oven and let it cool on a wire rack. Eat and enjoy!

Can be covered with cling film, placed inside a ziplock freezer bag, and stored in the freezer for later. It lasts up to 2 months in the cold.